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Carlos César define partido como central no diálogo político e social

O presidente do PS definiu hoje o seu partido como sendo “central” na esquerda portuguesa, numa posição “privilegiada” na concertação social e capaz de entendimentos com as forças políticas à sua esquerda e à sua direita.

A questão do posicionamento ideológico do PS foi abordada com algum detalhe na intervenção de Carlos César na abertura do segundo dia de trabalhos do 22º Congresso Nacional do PS, na Batalha, distrito de Leiria.

O ex-presidente do Governo Regional dos Açores e líder parlamentar socialista, logo nas suas primeiras palavras, começou por defender que o PS “é uma força central da esquerda” portuguesa.

Depois, na parte final da sua intervenção, desenvolveu este tema referente à questão do posicionamento ideológico, manifestando apoio à atual solução governativa com suporte parlamentar do Bloco de Esquerda, PCP e PEV, mas falando também, simultaneamente, em “liberdade económica”.

“Assumimos que a democracia tem que incluir toda a instrumentação da defesa da autenticidade e do estabelecimento de um padrão limitado de desigualdades, ao contrário da direita liberal e do centro comprometido com a direita, que advogam no negócio ‘puro e duro’ e nas desigualdades ilimitadas os motores da iniciativa e do crescimento”, referiu, aqui numa demarcação face às correntes neoliberais.

Na perspetiva de Carlos César, a esquerda que o PS representa, “tal como um Governo que emane do PS, deve estar na proteção da fronteira entre a liberdade económica e os direitos sociais e humanos e de igualdade de oportunidades, procurando que cada uma dessas dimensões se realize sem prejuízo de outras”.

“A posição que o PS ocupa, como partido central da esquerda portuguesa, tem potenciado as suas capacidades para concitar os contributos dos mais variados setores e para deter uma posição privilegiada na concertação social e no diálogo interpartidário. Devemos prosseguir nessa vocação, em resultado da qual somos, aliás, o único partido político português aceite numa interlocução com consequências de médio prazo à direita e à esquerda do espetro partidário”, sustentou.

De acordo com o presidente do PS, “com o PEV, o PCP e o Bloco, o PS celebrou “acordos que têm permitido uma governação estável e com resultados positivos”.

Esse compromisso – defendeu – “nunca colocou em causa a identidade do PS e a diferenciação com esses partidos

à sua esquerda”.

“Sentimo-nos bem com essa colaboração”, acentuou.

Em relação aos partidos à direita do PS, como o PSD, Carlos César destacou os recentes entendimentos sobre o próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia e sobre o processo de descentralização política.

“Num país que é dos mais centralizados da Europa, num país com disfunções e desigualdades territoriais que afetam sobretudo o interior, a concretização desta reforma decisiva para a reorganização, eficiência e democraticidade do Estado será, certamente, uma marca, mais uma, de sucesso com a influência e a participação do PS”, acrescentou.

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