Justiça

Bruno “mentiu em tribunal”, acusa Jesus

Jorge Jesus assume que Bruno de Carvalho “mentiu” nas declarações que prestou em Tribunal no âmbito do processo do ataque a Alcochete, no qual o antigo líder leonino chegou a estar detido um posto da GNR até que fosse presente a um juiz de instrução criminal, por ser suspeito de envolvimento nessa invasão.

Em declarações ao Correio da Manhã (CM), Jesus sublinha que foi o então presidente leonino a mudar a hora do treino.

“Mentiu em tribunal. O treino foi alterado das 10h00 para as 16h00, porque ele disse que precisava de tempo para que fosse criada a nota de culpa para suspender a equipa técnica”, revela o treinador português.

E salientou: “Quem mudou foi ele. Agora não sei se foi com a intenção de alguma coisa. Só vou falar deste pormenor porque o resto está em segredo de justiça.”

Jorge Jesus recorda as agressões de que foi vítima.

“Eu virei-me a alguns adeptos e disse que aquilo em Alcochete era uma traição ao Sporting. Logo a seguir levei um soco que me fez cair. Ele [Bruno de Carvalho] nem sequer lá estava”, conta Jorge Jesus.

Ao recordar o episódio de violência, Jesus garante que procurou defender o plantel.

“Eu não tive medo de nada. O meu ADN é assim desde infância. Nem pensei se me iam dar com tacos de basebol, barras de aço e cintos.”

Sobre a detenção de Bruno de Carvalho, que chegou a passar algumas noites e dias num posto da GNR enquanto esperava para ser presente a um juiz de instrução criminal, o antigo treinador sustenta que todos “vão ter de se justificar e defender” diante da lei portuguesa.

“Vivemos num país democrático com leis, às vezes, brandas demais”, disse, recordando a condenação feita a um indivíduo que atacou o autocarro do Borussia Dortmund.

Apesar disso, Jesus continua sem compreender como é que o grupo conseguiu entrar nas instalações leoninas “com tanta facilidade”.

Quanto às imagens da invasão a Alcochete, que foram divulgadas recentemente, Jesus mostra-se surpreendido e reconhece que não tinha tido a “noção” do que realmente se tinha passado naquela tarde de 15 de maio de 2018.

“Nunca tinha visto. Eu não tinha a noção do que se tinha passado naquele momento”, assumiu ao CM.

Em 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram alguns jogadores, membros da equipa técnica e outros funcionários.

A GNR deteve no próprio dia 23 pessoas e efetuou, posteriormente, mais detenções, que elevaram para mais de 40 o número de arguidos, dos quais grande parte está em prisão preventiva.

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