Justiça

Bispos pedem aos juízes para não citarem a Bíblia (muito menos de forma incorreta)

A Conferência Episcopal não gostou de ver a Bíblia citada no polémico acórdão do Tribunal da Relação do Porto. Os bispos deliberaram que os juízes não devem “fundamentar as decisões” judiciais em argumentos teológicos, em especial quando “há uso incorreto ou incompleto” da referência.

Manuel Barbosa, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, deu conta do mau-estar dos clérigos perante as citações da Bíblia no caso da “mulher adúltera”, em declarações ao Observador.

“Não se pode atenuar ou justificar qualquer tipo de violência, no caso a violência doméstica, mesmo em caso de adultério”, afirmou Manuel Barbosa, criticando frontalmente a decisão da Relação.

Os juízes não devem “apelar à Bíblia para fundamentar as decisões, para mais neste caso em que há uso incorreto, ou incompleto”, das referências religiosas, insistiu o responsável dos bispos.

“Não se trata de aceitar o adultério”, explicou, “mas de respeitar a dignidade da mulher e de se colocar numa perspetiva de perdão e misericórdia, como tanto tem acentuado o Papa Francisco”.

Como resposta ao juiz, que citou uma passagem bíblica de condenação à mulher adúltera, Manuel Barbosa avança outra: “No episódio do encontro de Jesus com a mulher adúltera, ele pede aos que não têm pecados para atirarem a primeira pedra” e quem a queria apedrejar “acaba por se afastar”.

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