Ciência

Bioquímico avisa que vacina para a covid-19 pode nunca existir e dá exemplo da sida

Segundo Miguel Carvalho, existe uma enorme pressão política para dar “boas notícias” e indica que não se deve queimar etapas no desenvolvimento da vacina pode ter consequências desastrosas

Miguel Carvalho, professor catedrático de bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), refere que o mundo tem que estar preparado para a possibilidade de não haver uma vacina para a covid-19.

Em declarações à agência Lusa, o investigador refere que seria “algo extraordinário” haver uma vacina num espaço de dois anos.

“Devemos estar preparados para não existir a vacina”, alerta o professor.

No entanto, Miguel Carvalho considera impossível haver uma vacina eficaz e segura até ao final do ano.

Segundo o investigador, a corrida para ter a primeira vacina é natural, devido ao período de grande expetativa que os países estão a viver, estabelecendo uma comparação com o VIH/Sida, identificado na década de 1980.

Miguel Carvalho recorda que foram “anunciadas várias vacinas” e feitos altos investimentos, mas que nenhuma delas teve o sucesso pretendido.

“Existe uma enorme pressão política para dar boas notícias e daí retirar alguns dividendos”, explicou o bioquímico.

Ao mesmo tempo, Miguel Carvalho relembra que a criação de uma vacina é um processo muito longo, que pressupõe várias etapas, desde ensaios pré-clínicos, com células e animais a testes a pessoas saudáveis e doentes.

Como tal, o professor alerta para que não se queime etapas no desenvolvimento do tratamento.

“O risco da pressa é queimar etapas, queimar etapas pode ter consequências muito perigosas”, salientou.

Segundo o último balanço da Direção-Geral da Saúde, em Portugal morreram 1.114 pessoas – mais nove que ontem – das 27.248 confirmadas como infetadas, havendo 2.422 casos recuperados.

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