Economia

Bancos não vão lucrar com a crise, diz presidente do Santander Totta

O presidente do Santander Totta disse hoje, no parlamento, que os bancos não vão lucrar com a crise e estimou que terão de criar dois a seis mil milhões de euros de provisões para fazer face a crédito malparado.

“Os bancos, e falo acima de tudo pelo Santander, não vão lucrar com esta crise, pelo contrário. Serão dos setores mais afetados desta crise, a banca é um setor pró-cíclico, portanto, as suas receitas vão cair bastante com esta recessão e as suas provisões irão aumentar de forma significativa”, afirmou Pedro Castro e Almeida, em audição perante os deputados das comissões de economia e orçamento.

O responsável estimou mesmo que nos próximos anos os bancos portugueses vão ter de constituir provisões entre dois e seis mil milhões de euros, para fazer face a crédito malparado, isto considerando que em tempos de crise o custo de crédito ronda entre 1% e 3% da carteira de crédito.

Pedro Castro e Almeida disse ainda que – além de disponibilizar linhas de crédito com garantia de Estado e as moratórias dos créditos – o Santander Totta concedeu em março mais de 500 milhões de euros em financiamento à economia (excluindo linhas covid-19) e que manteve os limites de crédito não utilizados aos clientes e ao mesmo preço, estimando esse valor em 6.000 milhões de euros.

“Não podemos aceitar a crítica de que não estamos a fazer o suficiente”, afirmou.

Quanto à dificuldade das empresas em acederem aos apoios públicos disponibilizados através do Estado, Pedro Castro e Almeida disse que as empresas que estão a ter dificuldades em aceder a liquidez urgente são de dois grupos: microempresas (caso de cafés, devido à dificuldade em entregarem a documentação devida por não estarem habituadas) e empresas com crédito vencido ou com dívidas ao fisco e à Segurança Social (neste caso não podem aceder nem às moratórias nem às linhas de crédito garantidas, por decisão do Governo).

O presidente do Santander Totta disse ainda que, para avaliar a concessão de crédito, o banco não exige mais documentos às empresas do que os pedidos pelas sociedades de garantia mútua (responsáveis por aprovar a garantia de Estado aos créditos).

Desde o início da atual crise que os bancos foram ‘chamados’ pelo poder político a dar o seu contributo no esforço da crise.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que os bancos têm uma “função de responsabilidade social muito grande que têm que assumir”, até porque têm consciência da sua responsabilidade na crise de 2008 e do que foram ajudados, e o líder do PSD, Rui Rio, disse mesmo que a “banca não pode querer ganhar dinheiro com a crise” e que o objetivo do setor em 2020 e 2021 “tem de ser lucro zero”.

Já o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esperar ver a banca “retribuir aos portugueses” os apoios que teve e, há duas semanas, após uma reunião com os presidentes dos maiores bancos, disse ter visto “grande mobilização no sentido de ajudar a economia”.

Os bancos têm sido o canal de disponibilização das linhas de crédito garantidas pelo Estado de apoio às empresas e o Governo criou uma lei que concede moratórias (suspensão de pagamentos das prestações) no crédito à habitação e crédito de empresas.

Já na semana passada, os principais bancos que operam em Portugal acordaram moratórias para crédito ao consumo e crédito à habitação.

Estas moratórias privadas dos bancos complementam as que foram aprovadas pelo Governo, permitindo estas a suspensão de prestações ou redução do valor em casos que até agora não estavam cobertos pela legislação governamental.

Uma das diferenças principais é permitir moratórias nos créditos ao consumo (crédito automóvel e outros), que a lei do Governo não abrange.

Além disso, permite que clientes com crédito à habitação acedam à moratória se tiverem quebras de 20% nos seus rendimentos, que a lei do Governo também não abrange.

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