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Audição de Berardo será enviada ao Ministério Público

A audição do empresário Joe Berardo na comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai ser enviada ao Ministério Público, disse hoje o presidente da comissão.

“A minha intenção é enviar a transcrição direta [da audição] ao Ministério Público para que, se houver alguma matéria, tome as diligências necessárias”, disse hoje Luís Leite Ramos aos jornalistas.

O deputado do PSD falava aos jornalistas no final da audição de Pedro Duarte Neves ex-vice-governador do Banco de Portugal, que decorreu hoje no parlamento, em Lisboa.

Luís Leite Ramos ressalvou, no entanto, que não tem “indícios criminais” e que não vai fazer queixa ao Ministério Público, mas explicou que “tem havido uma interação” entre a comissão parlamentar e o organismo.

O pedido para a obtenção da transcrição áudio da audição a Joe Berardo já tinha sido feito logo após o final da mesma, na sexta-feira, com “caráter de urgência”, adiantou.

O presidente da comissão considerou que houve “um conjunto de matérias que merecem e devem ser avaliadas por quem de direito”.

Na terça-feira, em declarações à Lusa, o deputado do PS João Paulo Correia disse esperar “que o Ministério Público atue” relativamente aos empréstimos concedidos ao empresário, especialmente “naquilo que diz respeito à Caixa, que é um banco público”.

O vice-presidente da bancada parlamentar do PS afirmou ainda que a questão da Associação Coleção Berardo “merece o escrutínio da Assembleia [da República] e a investigação do Ministério Público”.

“Contamos que o Ministério Público tenha estado muito atento à audição da passada sexta-feira e que essa audição tenha fornecido bons elementos para continuar a desenvolver a sua investigação”, afirmou João Paulo Correia.

O responsável parlamentar do PS ressalvou, no entanto, que “o inquérito parlamentar não se pode substituir à Justiça e ao Ministério Público”.

Ideia semelhante foi partilhada por Mariana Mortágua (BE) que, sobre a questão da Associação Coleção Berardo, acrescentou que “é uma das matérias que é preciso investigar” de forma “aprofundada”, pois é um caso “em que são alterados os estatutos à revelia dos credores e em que há um aumento de capital sem comunicar aos credores”.

A deputada do BE adiantou que “todas as conclusões da comissão serão enviadas ao Ministério Público” e defendeu que o assunto “deve ter uma sequência” ao nível daquele organismo.

A ida de Joe Berardo à comissão parlamentar de inquérito à CGD, na passada sexta-feira, provocou nos últimos dias uma chuva de críticas, desde logo pela forma como se dirigiu aos deputados.

Perante os parlamentares, o empresário madeirense declarou que é “claro” que não tem dívidas, uma vez que as dívidas aos bancos (incluindo o banco público CGD) não são dívidas pessoais, mas de entidades ligadas a si, e que tentou “ajudar os bancos” com a prestação de garantias e que foram estes que sugeriram o investimento em ações do BCP.

Deu ainda a entender que os títulos de participação da Associação Coleção Berardo (a dona das obras de arte) que entregou aos bancos para reforçar as garantias dos empréstimos perderam valor com um aumento de capital em que as entidades financeiras não participaram, aparentemente porque não souberam que existiu.

A várias perguntas dos deputados, Joe Berardo disse ainda que deveriam era ser feitas aos bancos em causa: “Pergunte à Caixa, eles é que me emprestaram o dinheiro”.

Já confrontado com a ideia de que a Caixa “está a custar uma pipa de massa”, respondeu: “A mim, não!”.

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