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Atletismo em Gaia corre o risco de perder algumas disciplinas técnicas

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A cimentação da caixa de saltos no Estádio Jorge Sampaio e o boato da cedência do Estádio da Lavandeira ao Real Madrid está a levantar um coro de protestos em Gaia, com os clubes de atletismo a criticarem a falta de meios para treinar algumas disciplinas técnicas.

 

Os clubes de atletismo de Vila Nova de Gaia estão a ficar apreensivos com a degradação das condições de treino nas disciplinas técnicas, sobretudo pelo que envolve as únicas pistas do concelho, nos estádios de Jorge Sampaio (Pedroso) e da Lavandeira (Oliveira do Douro). Passada a euforia dos Jogos Olímpicos, vários agentes temem que o futebol venha a ‘expulsar’ o atletismo para a rua, impossibilitando o treino de disciplinas técnicas como o salto em comprimento ou o triplo salto.

 

As preocupações agravaram-se com a cedência do Estádio Jorge Sampaio para os jogos da equipa B de futebol do FC Porto. A realização de algumas obras de adaptação ditou que a caixa de saltos fosse cimentada e que as pistas ficassem ocupadas com material de construção.

 

“Como comprovam as imagens colocadas no facebook, as pistas de atletismo estão apenas parcialmente ocupadas. Mais grave, para já, é a caixa de saltos em comprimento, tapada com cimento. Que diriam Naíde Gomes e Nelson Évora”, desabafa Manuel Alberto Costa, presidente do Clube Spiridon de Gaia.

 

Afonso Vasconcelos, presidente do Aventura Gaia Clube, complementa: “o Estádio Jorge Sampaio foi cedido ao FC Porto e, neste momento, está a sofrer obras de reparação e adaptação. O problema está em como vão ser feitas essas adaptações, pois as caixas de areias para o salto em comprimento já foram cimentadas e, pelo que eu vejo do andamento das obras, não vai ser possível praticar na pista nem nos outros setores. Na próxima época, os atletas de Gaia não vão ter onde treinar. Lamentavelmente, ou vão ter que treinar na rua, como antigamente, ou vai acabar o atletismo em Gaia. Em jeito de desabafo, como sempre o futebol continua a cavar as sepulturas de todas as outras modalidades desportivas”.

 

Os problemas não são de agora e as obras realizadas em Pedroso vêm apenas agravar as preocupações dos dirigentes. Há vários anos que as pistas de atletismo têm vindo a degradar-se, para além de já terem sido feitas com defeito. “Neste momento, existem duas pistas de 400 metros, a de Pedroso e a da Lavandeira, mas só servem para treinar porque, infelizmente, o arquiteto que desenhou a de Pedroso não devia saber que uma pista é de 400 metros, pois ficou quase 20 centímetros maior, e o arquiteto da de Lavandeira só desenhou a pista com quatro corredores”, explica Nelson Marques.

 

O diretor técnico da secção de atletismo do Estrelas do Sul refere ainda que, devido a estes problemas nas pistas, as mesmas “não podem ser homologadas” e, como tal, estão impossibilitadas de acolher provas oficiais: “resumindo, é dinheiro deitado fora, mas ao menos ainda lá podemos treinar”.

 

Mais recentemente, tem-se propagado o rumor de que o Estádio da Lavandeira será cedido ao Real Madrid, num protocolo semelhante ao que o município realizou com o FC Porto em Pedroso. “Os clubes de Gaia começam a ficar preocupados se seguir a mesma situação na pista da Lavandeira”, admite Francisco Mesquita, presidente do Clube de Atletismo de Avintes.

 

Este dirigente não quer acreditar “que isso possa acontecer, pondo em causa o trabalho realizado pelos clubes de Gaia”, mas os clubes estão preocupados e, como aconteceu com o Spiridon, já houve pedidos de reunião com o vereador do Desporto, para dissipar as dúvidas, “mas até à data não obtivemos qualquer resposta”, como salienta Manuel Costa.

 

“Ao Estrelas do Sul não comunicaram nada, o que sabemos são boatos. Comenta-se que o Estádio da Lavandeira vai ser cedido a um clube espanhol, no caso o Real Madrid, e que quando esta escola de futebol estiver a funcionar os atletas do atletismo não vão poder treinar. Resumindo, os miúdos normalmente saem da escola às 17 ou 18 horas e vão treinar e nós [treinadores e dirigentes], que somos amadores e trabalhamos o dia inteiro, também treinamos normalmente a essa hora”, diz Nelson Marques.

 

O diretor técnico do Estrelas do Sul confessa estar habituado “a este silêncio da Câmara Municipal” e até dá exemplos: “na época que acabou organizámos o corta mato regional dos quatro e oito [anos] da Associação de Atletismo do Porto e fomos campeões no setor masculino, no campeonato de corta mato curto fomos terceiros classificados e no campeonato regional de corta mato longo fomos, até à data, o único clube de Gaia a ser campeão. Até hoje, ninguém da Câmara nos felicitou, mas gastam rios de dinheiro em clubes e coletividades que não mostram resultados nenhuns. Nós já não recebemos subsídios da Câmara há mais de oito anos e da Junta de Freguesia há quatro”.

 

O PTJornal contactou a Câmara Municipal de Gaia, mas até hoje não recebeu qualquer resposta.

 

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