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Assessor do Bloco refere-se à polícia como “a bosta da bófia”

O caso de violência que ocorreu no Bairro da Jamaica, no Seixal, suscitou uma reação dura de Mamadou Ba. O assessor do Bloco de Esquerda referiu-se à polícia como “a bosta da bófia”.

“Sobre a violência policial, que um gajo tenha de aguentar a bosta da bófia e da facho esfera é uma coisa é natural, agora levar com sermões idiotas de pseudo radicais iluminados é já um tanto cansativo”, escreveu, num post publicado no Facebook.

“Há malta que não percebe que a sua crença ideológica num outro modelo de sociedade, muitas vezes assente no privilégio doutrinário e não só, não salva quem todos os dias é violentado com o racismo. Portanto, fica o aviso que por estas bandas, não pastarão”, concluiu, nessa publicação controversa.

Mamadou Ba, que é também dirigente da SOS Racismo, voltou às redes sociais para justificar o seu post. E manteve a adjetivação.

“Ao fim da tarde, publiquei um post dando conta da minha impaciência em aturar os sermões idiotas dos pseudo revolucionários iluminados em comparação com a obrigação que tenho de lidar com a bosta da bófia e da facho esfera. A partir daí, comecei a receber vários tipos de insultos e ameaças. E sim, bater em alguém porque é negro ou cigano, é uma bosta. Matar alguém porque é negro ou cigano é pior que uma bosta. Algumas das ameaças são efectivamente de cariz criminal pela sua gravidade, pelo que não podem ser divulgadas aqui”, realçou Mamadou Ba, que critica o tratamento jornalístico dado por alguma comunicação social, acusada de querer “desacreditar a luta antirracista”.

Nesta segunda-feira, recorde-se, quatro pessoas foram detidas na sequência do apedrejamento de elementos da PSP por parte de moradores do bairro social da Jamaica, no Seixal, distrito de Setúbal, que protestaram em Lisboa, frente ao Ministério da Administração Interna, para dizer “basta” à violência policial e “abaixo o racismo”.

Segundo o porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa, os manifestantes subiram cerca das 17h00 a Avenida da Liberdade, em direção ao Marquês de Pombal, onde ocuparam a praça central.

Pelas 18h30 começaram a descer a avenida, ocupando as faixas centrais e impedindo a circulação rodoviária, indicou a fonte, explicando que quando os elementos da PSP os obrigaram a passar para o passeio começaram a lançar pedras contra os agentes da autoridade e “pelo menos dois petardos”.

Esta reação obrigou a “uma intervenção mais musculada da PSP”, levando os manifestantes a dispersarem, indicou a fonte, não adiantando se foram disparados tiros.

O protesto teve como motivo a intervenção policial realizada no domingo de manhã no Bairro da Jamaica, quando a PSP foi alertada para “uma desordem entre duas mulheres”, tendo sido deslocada para o local uma equipa de intervenção rápida da PSP de Setúbal. Na ocasião, um grupo de homens reagiu à intervenção dos agentes da polícia quando estes chegaram ao local, atirando pedras.

Na sequência destes incidentes, ficaram feridos, sem gravidade, cinco civis e um agente da PSP, que foram assistidos no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

A PSP abriu um inquérito para “averiguação interna” sobre a “intervenção policial e todas as circunstâncias que a rodearam”, ocorrida hoje de manhã no bairro da Jamaica, concelho do Seixal, da qual resultaram, além dos feridos, um detido.

Pelo seu lado, a associação SOS Racismo anunciou que vai apresentar uma queixa ao Ministério Público na sequência destes acontecimentos.

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