África

Aos 114 anos, homem candidato a mais velho do mundo quer deixar de fumar

Aos 114 anos, Fredie Blom pode em breve ser reconhecido como o homem mais velho do mundo. Com uma vida divida entre a fazenda e a construção civil, conseguiu deixar o álcool, mas ainda é um fumador regular.

De sorriso rasgado, Fredie Blom diz que o facto de ainda fumar, aos 114 anos, é “culpa do diabo”.

“Todos os dias eu fumo dois ou três ‘pílulas’. Uso o meu próprio fumo, não fumo cigarros comercializados”, explica. As ‘pílulas’ são vulgarmente conhecidas como ‘cigarros de enrolar’, em que o fumador enrola o seu próprio cigarro.

Apesar de viver agora com a ideia em deixar de fumar, Blom admite que a vontade em fazê-lo é muito mais forte que a de parar.

“Às vezes eu digo a mim próprio que vou parar, mas esse sou eu a enganar-me a mim mesmo. O meu peito persegue-me para dar um ‘bafo’ e eu sou obrigado a fazer uma ‘pílula'”, conta à BBC.

Com 114 anos, Blom é tratado como uma ‘celebridade’ na Cidade do Cabo, na África do Sul. Entre as muitas visitas que recebe – de locais e turistas – a sua aparência é o que mais salta à vista.

De bigode ligeiramente ‘descuidado’ e barba grisalha, Fredie caminha calmamente, sem ajuda e, naturalmente, sem a velocidade de outros tempos.

É considerado o homem mais velho do mundo, mas espera a verificação do ‘título’ por parte do Guiness, o Livro de Recordes.

A longevidade é explicada pelo próprio através de Deus, quem “tem o poder”. “Eu posso cair a qualquer altura, mas Ele segura-me”, acrescenta.

Casado há 48 anos com Janetta, é a própria quem explica que sua excelente condição de saúde levantou muitas dúvidas relativamente à sua idade. Ainda assim, as mesmas dissiparam-se com a apresentação a certidão de nascimento.

Blom nunca frequentou a escola, não sabe ler nem escrever, mas recorda a sua infância com saudade e brilho nos olhos. Dividiu muitos anos de trabalho – reformou-se aos 80 – entre fazendas e construção civil.

Agora, com 114, nota que a principal diferença está na segurança.

“A vida era muito mais pacífica. Aqueles eram bons momentos. Não havia assassinatos e roubos. Podias ficar o dia todo deitado na cama e, quando acordasses, os teus pertences ainda estariam lá. Agora tudo mudou”, lamenta.

A segregação racial adotada pela África do Sul entre 1948 e 1994 não foi sentida por Blom, ele que revela que, entre o trabalho, raramente ouvia falar de conflitos políticos ou sociais.

Hoje, vive uma vida tranquila. Adora comer carne em todas as refeições. É capaz de se vestir e tomar banho sozinho.

O excesso de tempo livre é a pior parte, por isso prefere andar fora de casa. Senta-se a “apreciar o mundo”, como quando era criança.

A pior parte é não que não resiste ao tabaco, mas isso “é culpa do diabo”.

Mais partilhadas da semana

Subir