António Costa: Orçamento de Estado e o seu esclarecimento

Portugal é um país pouco dado a debates, ao intercâmbio sossegado de ideias e pareceres. Há debates, mas é no Parlamento e nas tertúlias na televisão.

Os cidadãos portugueses deveriam ter uma série de debates com a presença de António Costa e membros do Governo, para conhecer pormenorizadamente o Orçamento de Estado para 2016: ideias, estilo, léxico, conteúdo, execução e finalidade.

Acho boa ideia os membros do Governo fazerem sessões de esclarecimento para militantes socialistas, contudo o Governo de António Costa é do PS, mas acima de tudo de Portugal. Essas sessões deveriam ser alargadas aos portugueses em geral e a locais como o Clube dos Pensadores.

Debate com militantes é circunscrito e informa pouco os cidadãos portugueses. O interessante seria num ambiente, aberto, neutro, para lá das fronteiras físicas e ideológicas, num espaço de reflexão, responder a questões sem controlo com a presença de imprensa. Mas isso não é feito.

António Costa vai usar as redes sociais para explicar Orçamento de Estado aos portugueses. Percebeu que não chega falar somente com militantes num ambiente controlado. É alguma coisa mas sabe a muito pouco.

Num ambiente apartidário daria para analisar, o primeiro-ministro António Costa, o ministro das Finanças Mário Centeno, outros membros do Governo: a competência de responder e persuadir com convicção capaacidade de reacção perante o dissenso e perguntas não-alinhadas.

Muito importante para quem quer ter uma opinião avalizada.

Ao referir-me a este governo, o mesmo não foi feito com o Governo anterior de Pedro Passos Coelho.

Assiste-se a uma dissertação demorada do Orçamento de Estado, alongada no tempo com verbosidade política. Muitos já cansados e maçados  resistem até ao fim para ter direito a uma ou duas perguntas. O que deveria ser exactamente o contrário: escutar em vez de falar. Esclarecer as dúvidas, preocupações, medidas deste Orçamento.

Mas isso sou eu que estou a sonhar. Isso é para uma democracia avançada, participativa e esclarecedora.

Eu vivo numa democracia que há muito pseudo-debate antes das eleições. Realizaram-se as eleições e a prestações de contas é algo ínvio.

A capacidade de conversar é um convite à reflexão e ao diálogo, mostrar perante os outros, decidir quem são, o que querem e a oportunidade de escutarem os outros.

Sem conversação perde-se a oportunidade de entender devidamente este Orçamento de Estado para 2016.

Joaquim Jorge

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