América do Sul

André Ventura elogia “frescura de pensamento” de Bolsonaro

Autarca de Loures segue contra a corrente de críticas a Jair Bolsonaro, o controverso candidato às presidenciais do Brasil. Em declarações ao PT Jornal, destaca a “frescura de pensamento” que “os liberais ocidentais podiam aprender com Bolsonaro”. E Portugal inclusive.

Candidato à presidência do Brasil pelo Partido Social Liberal, Bolsonaro tem despertado a oposição de parte da sociedade brasileira que alega que este adotou, ao longo de sua carreira, discursos e posturas de cunho machista, homofóbico, racista, contra minorias e a favor do uso da violência indiscriminada para combater a criminalidade.

Trata-se de uma figura controversa, pelo discurso a tocar a xenofobia, pela oposição aos direitos da comunidade LGBT, das minorias, das mulheres.

André Ventura não se revê nessas posições, mas encontra naquele político ideias muito positivas, o que contraria a corrente.

E por isso o autarca de Loures não se surpreende com a liderança nas sondagens do candidato do PSL. “Não me surpreende, honestamente”, diz, em declarações ao PT Jornal.

André Ventura encontra inúmeras ideias positivas na visão de Jair Bolsonaro para o Brasil.

“Num país fustigado pela violência e pela corrupção, um político dizer que os polícias não podem ter armas de brincar quando os criminosos estão armados até aos dentes… acho que é universalmente compreensível”, exemplifica.

Por outro lado, acrescenta, o candidato do PSL “é o único que tem passado sistematicamente a mensagem da desburocratização”, num país onde “constituir uma pequena empresa é um inferno burocrático de normas federais, estatais e municipais”.

Mas há mais:

“Apesar de muitos disparates ditos publicamente, nomeadamente relativamente às mulheres e aos homossexuais, é o único candidato que está mais preocupado com as vítimas do que com os criminosos”.

André Ventura considera que Bolsonaro tem ideias que merecem – mais do que uma reflexão – uma aplicação na Europa.

“Isso é algo que nós devíamos aprender na Europa: hoje só nos preocupamos com os direitos de quem mata, viola ou rebenta com estações de metro. E os que morreram? Ou ficaram mutilados? Ou ficaram marcados para sempre pela violência sexual?”, questiona.

Nesse sentido, há no outro lado do Atlântico ideias novas.

“É essa frescura de pensamento que os liberais ocidentais podiam aprender com Bolsonaro. E Portugal também, pois o politicamente correto está morto. E já só os que vivem à conta do regime é que acreditam nele”, assinala.

Bolsonaro lidera a corrida eleitoral com 28 por cento das intenções de votos, em vésperas da primeira volta da eleição presidencial que acontecerá no dia 7 de outubro, mas é também o candidato com maior rejeição entre os eleitores.

Segundo a última sondagem divulgada pelo Instituto Datafolha, na sexta-feira, 46 por cento dos brasileiros disseram que não votariam em Bolsonaro de maneira nenhuma. Esta oposição chega a atingir 52 por cento entre as mulheres, que representam a maioria do eleitorado no Brasil.

A alta taxa de rejeição das mulheres em relação Bolsonaro, cujo voto pode ser a chave nas eleições, tem sido usada como uma arma pelos seus adversários.

Por outro lado, o candidato tem tentado moderar seu discurso, alegando que as declarações que fez sobre o papel das mulheres na sociedade brasileira foram mal interpretadas.

No mesmo dia em que milhares de brasileiros organizaram protestos para defender e atacar a candidatura de Bolsonaro, o candidato recebeu alta do hospital Albert Einstein, na cidade de São Paulo, onde recuperava de um atentado que sofreu no dia 06 de setembro, durante um comício.

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