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AMP “rejeita liminarmente” cerco à cidade do Porto

O presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP) disse hoje que “rejeita liminarmente” um cerco sanitário à região, sugerindo à Direção-Geral da Saúde (DGS) “maior atenção a focos de contágio” e a realização de “mais testes”.

“Rejeitamos liminarmente essa hipótese. Não há razões [para um cerco sanitário] ao Porto. Sugiro que a DGS faça uma verdadeira ação de sensibilização aos condomínios porque, a par dos lares de idosos, são um foco de contágio na gestão as partes comuns. São potenciais focos que estão a ser desvalorizados. Sugiro ações de sensibilização concretas e práticas para que as limpezas aumentem e os focos de contágio sejam minimizados ao máximo. E acho que a DGS devia fazer testes, testes e mais testes. É esse modelo que resolve o problema”, disse à agência Lusa Eduardo Vítor Rodrigues.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou hoje que a medida está a ser equacionada entre as autoridades de saúde regionais, as autoridades de saúde nacionais e o Ministério da Saúde “e provavelmente hoje será tomada uma decisão nesse sentido”.

Na conferência de imprensa diária para fazer o ponto da situação da pandemia de covid-19 em Portugal, Graça Freitas assegurou a articulação entre as autoridades de saúde e as autoridades municipais desde logo, com a Câmara Municipal, com a Segurança Social e com a Comissão Municipal de Proteção Civil.

O também presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, concelho do distrito do Porto, mostrou-se surpreendido com o anúncio da DGS, uma vez que, conforme disse à Lusa, não foi consultado, algo que lamenta e o leva a pedir “mais respeito institucional”.

“Surpreende-me que a DGS torne públicas medidas e ideias sem falar com os autarcas. Eu não fui consultado. A DGS tem de começar a comunicar um bocadinho menos e melhor. Há coisas que merecem o respeito institucional de quem no terreno está a lutar com todas as suas forças”, referiu o autarca de Vila Nova de Gaia, acrescentando ainda o exemplo dos arquipélagos da Madeira e dos Açores.

“Impuseram quarentena à chegada [às ilhas], mas isso não impediu que tenham casos. [O cerco sanitário] não faz sentido do ponto de vista técnico, nem do ponto de vista prático da organização das cidades”, concluiu.

Sobre desta matéria, também a Câmara do Porto disse hoje ter sido surpreendida com o anúncio da diretora-geral da Saúde, apontando, em comunicado, que “caso a medida, inútil e extemporânea, fosse tomada, tornaria impossível o funcionamento de serviços básicos da cidade, como a limpeza urbana (cuja maior parte dos trabalhadores não reside na cidade), como a recolha de resíduos (cuja LIPOR fica fora da cidade), como o abastecimento e acessos a dois hospitais centrais (Santo António e São João) estariam postos em causa”.

Também o presidente da Câmara de Gondomar, no distrito, e líder da Comissão Distrital de Proteção Civil (CDPC) do Porto, Marco Martins disse hoje ser “difícil de perceber” porque é que a DGS está a equacionar um cerco sanitário na região do Porto, quando há uma semana disse que “não seria eficaz”.

No quadro hoje divulgado pela DGS a cidade do Porto aparece em primeiro com 941 casos covid-19 confirmados, seguindo-se Lisboa com 633.

Entre os 10 primeiros concelhos com mais casos encontram-se mais cinco localizados no Grande Porto: Vila Nova de Gaia (344), Maia (313), Gondomar (276), Matosinhos (295) e Valongo (202).

Portugal regista hoje 140 mortes, mais 21 do que na véspera (+17,6%), e 6.408 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 446 em relação a domingo (+7,5%).

Dos infetados, 571 estão internados, 164 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

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