Nas Redes

Albano Jerónimo ia falar de Cultura, mas Bruno de Carvalho esgotou tempo de antena

Neste primeiro fim de semana de Abril, marcado mediaticamente pela prisão de Lula da Silva, no Brasil, e pelo clima de tensão que se vive em Alvalade, o ator Albano Jerónimo mostrou-se perturbado, nas redes, por ter ficado “apeado” num canal televisivo quando foi convidado para comentar “a situação dos artistas, da Cultura e da massiva manifestação por todo este Portugal”. “Não tinham tempo para a Cultura”, atirou.

A ‘discussão’ em torno da orçamento para Cultura, em Portugal, ganhou estes dias novas dimensões, depois da massiva manifestação em vários pontos do País.

Albano Jerónimo foi convidado pela RTP para, na sexta-feira, marcar presença num “telejornal de grande visibilidade ou audiência para o dito canal” mas acabou “apeado”, sem tempo para comentar aquilo a que havia sido estipulado.

O ator mostrou o seu desagrado com uma publicação no Facebook, onde critica os órgãos de comunicação social, que entretanto “esgotou o tempo do noticiário”, pelo que “já não tinham tempo para a Cultura”.

“Convidaram-me, e esta seria a frase da minha abertura, para ir comentar a situação dos artistas, da Cultura e da massiva manifestação por todo este Portugal. Iria falar do ‘novo’ modelo de apoio às Artes, da precariedade da profissão, da urgência de um reforço orçamental para a cultura (1%), de que não existe um favor do estado (que fique claro) ao remunerar um Serviço Público à sociedade, e sobretudo que exista de facto uma política cultural séria, construtiva, criativa, perto dos artistas e que possa dar ao público a cultura que merece”, começa por escrever o ator.

“Já não tinham tempo para a Cultura. Já não tinham tempo para a Cultura, repito”.

“Aguardei, aguardei, até que me vieram dizer que afinal não havia tempo. Que afinal o tema futebol tinha ganho protagonismo e que segundo ‘ordens de cima’ (eras tu, Deus? Ou seria um consciente director de programas? Ou um director de informação emocionado com o Bruno de Carvalho ou com audiências? Ou seria o pensamento de ir atrás dos outros canais nas audiências e ratings da vida televisiva?!!!), tinham esgotado o tempo do noticiário. Já não tinham tempo para a Cultura. Já não tinham tempo para a Cultura, repito”.

A dada altura, Albano Jerónimo atira que o “futebol venceu a Cultura” e sublinhou o seu desagrado por perder a “possibilidade de estar presente na manifestação e o direito de expor publicamente a minha revolta e indignação, com os meus colegas de trabalho e luta. Esta situação é paradigmática no que respeita à importância que dão ao nosso trabalho e às nossas reivindicações – os ditos órgãos de comunicação social”

“Estes que deveriam dar voz, o exemplo da isenção, da crítica livre e plural, aos que querem e têm o direito de falar; para que nos oiçam.  A situação na Cultura em Portugal é grave, urge o reconhecimento do papel das artes e dos artistas na sociedade portuguesa”

A terminar, o ator deixa duas questões aos diretores destes “nossos canais de televisão”, onde questiona pelo “futuro dos seus filhos” e pela sua “responsabilidade social”.

“Assim ficam todos iguais, um horizonte de mediocridade é o que se vê nesta fauna da informação em Portugal. (…) Atrevam-se a ser diferentes”, frisa.

De resto, a publicação de Albano Jerónimo reavivou também um episódio de 2007, quando Pedro Santana Lopes, então em direto para a SIC Notícias, abandonou uma entrevista depois de ter sido interrompido pela chegada de José Mourinho ao aeroporto.

Recorde esse momento:

Leia na íntegra a publicação do ator.

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