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Al-Sissi rejeita que europeus lhe deem lições de direitos humanos

O Presidente egípcio, Abdelfatah Al-Sissi, anfitrião da cimeira de países da Liga Árabe e da União Europeia, pediu hoje aos europeus que respeitem “os valores” do seu país e não lhe deem lições de direitos humanos.

O chefe de Estado egípcio disse na conferência de imprensa de encerramento da cimeira realizada na cidade de Sharm el-Sheikh que os europeus devem “respeitar os valores” do Egito.

“Vocês não nos ensinarão a nossa humanidade. Respeitem as nossas moralidades e valores tal como nós respeitamos os vossos valores”, afirmou Al-Sissi, que subiu ao poder através de um golpe de Estado, em 2013, e tem sido criticado por várias organizações não-governamentais por violações dos direitos humanos, incluindo tortura, detenções ilegais e execuções.

Perante perguntas de jornalistas sobre a situação dos direitos humanos no Egito, Al-Sissi falou do caso da execução na passada quarta-feira de nove jovens pelo assassínio do procurador-geral e justificou-a explicando que a pena de morte “é parte da cultura” da região.

“Esta é a nossa cultura, a cultura que existe na região”, disse o líder egípcio.

Al-Sissi manifestou o seu apreço pelo facto de a pena de morte ter sido eliminada na Europa, mas pediu que “não se imponha ao Egito” o mesmo critério.

Explicou ainda que enquanto nos países europeus ocorrem poucos atos terroristas, o Egito “está exposto a centenas ou milhares de atos terroristas”.

“Então, como é que acham que os combatemos?”, perguntou.

“Quando a prioridade nos países europeus é procurar o bem-estar, aqui a prioridade é proteger o país do colapso. Por isso, são questões diferentes”, sublinhou Al-Sissi.

O Presidente egípcio argumentou ainda que “com um só ato terrorista em Sharm el-Sheikh, a cidade pode transformar-se numa cidade fantasma durante quatro ou cinco anos”.

O secretário-geral da Liga Árabe, o egípcio Ahmed Abulgeit, pediu para responder a uma pergunta dirigida a Al-Sissi sobre direitos humanos e assegurou que durante a cimeira, a parte europeia não se mostrou “insatisfeita” quanto a este assunto.

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