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Agricultores de Ponte de Sor afetados pela seca lamentam falta de apoios do Governo

Os agricultores da zona de Ponte de Sor (Portalegre) manifestaram-se hoje estão contra a decisão do Governo em beneficiar apenas quatro dos 15 concelhos do distrito afetados pela seca, através de uma linha de apoio.

Segundo a Associação de Criadores de Ovinos da Região de Ponte Sor (ACORPSOR), que representa cerca de 800 produtores desta zona do Alto Alentejo, os produtores “têm cada vez mais dificuldades” em captar água para os animais nas suas explorações.

“Grande parte das reservas de água está esgotada. Ouvimos diariamente relatos de furos artesianos que estão secos e os aquíferos de profundidade também já não respondem às necessidades”, alertou hoje o presidente da ACORPSOR, Rui Varela, em declarações à agência Lusa.

Lembrando que o Governo disponibilizou em junho mais três milhões de euros para apoiar investimentos de agricultores com explorações situadas em municípios em seca extrema ou severa, o mesmo representante associativo lamentou terem sido apenas contemplados quatro dos 15 concelhos do distrito de Portalegre (Campo Maior, Arronches, Elvas e Monforte).

“As zonas mais complicadas, devido à seca, são Alter do Chão e Avis. Nestes concelhos existe a Barragem do Maranhão, um grande reservatório de água, mas o que é facto é que basta o agricultor estar afastado 500 a mil metros da quota máxima da barragem e já não tem acesso à água e há muita gente em dificuldade neste momento”, disse.

Lamentando que 11 concelhos do distrito de Portalegre tenham sido “excluídos” da linha de apoio à seca, Rui Varela considerou que, caso tivessem sido abrangidos pelo financiamento, permitiria aos agricultores abrir furos e adquirir depósitos de água e cisternas.

“Gostaríamos que a medida proposta para os quatro concelhos, que foram, no fundo, bafejados pela sorte, fosse estendida a todo o distrito de Portalegre”, defendeu.

Em comunicado, o Ministério da Agricultura divulgou em junho que disponibilizava mais de três milhões de euros para a “mitigação dos efeitos da seca extrema e severa”, sendo a medida de apoio a investimentos específicos nas explorações agrícolas.

“O principal objetivo desta medida é promover a mitigação dos efeitos da seca extrema e severa como fenómeno climático adverso, através do apoio a investimentos específicos nas explorações em que a escassez de água compromete o maneio do efetivo pecuário, em particular, o abeberamento dos animais e a manutenção das culturas permanentes instaladas”, diz o comunicado do ministério tutelado por Luís Capoulas Santos.

Para este apoio são elegíveis investimentos cujos montantes oscilem entre 1.000 euros e 40.000 euros.

De acordo com o ministério, este apoio aplica-se aos municípios de Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António, todos em seca extrema.

Esta ajuda é igualmente extensível aos municípios em seca severa, como Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Aljezur, Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Arronches, Barrancos, Barreiro, Beja, Benavente, Borba, Campo Maior, Castro Verde, Coruche, Cuba, Elvas, Estremoz, Évora, Ferreira do Alentejo, Grândola, Lagoa e Lagos.

Nesta situação encontram-se ainda os municípios de Mértola, Moita, Monchique, Monforte, Montemor-o-Novo, Montijo, Moura, Mourão, Odemira, Ourique, Palmela, Portel, Portimão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Santiago do Cacém, Seixal, Serpa, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sines, Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira e Vila Viçosa.

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