Clube dos Pensadores

A Ilusão

passos coelho10passos coelho 600 3Esta crise está a ser trágica, sempre com novos contornos a adicionar aos anteriores. Gostava de ter um ano de 2014 carregado de ilusão mas a realidade é bem outra. A verdadeira realidade é que a maioria dos funcionários públicos com os novos cortes ainda nem sabe quanto vai receber no mês de Janeiro.

Esta crise como os grandes terramotos e ciclones deixam enormes escombros e grande quantidade de mortes. Porém estes cataclismos da natureza, não temos a sorte que levem o “mal” e fique o “bem”.

Esta crise pelo seu carácter emético marca a nossa vida futura, num antes e num depois. O nosso dia-a-dia é um gigantesco fardo equivalente a um hediondo aterro fedorento que por mais se procure limpar, nunca mais se consegue fazê-lo e o cheiro nauseabundo mantém-se.

Da actual política não se pode esperar nada. Temos abdicado e renunciando a tanta coisa, a troco de quê? Os cidadãos, neste regime democrático, comprometem-se a uma série de obrigações e deveres na sociedade actual, uma delas, entregar os seus impostos ao Estado.

Fazem-no a troco de uma série de direitos e garantias – protecção na saúde, educação, segurança e justiça.

Porém este contrato social tem sido alterado constantemente e nalguns casos rasgado. Sobem-se os impostos sem cessar, baixam-se os salários, as pensões esperadas pelos descontos feitos são pura e simplesmente trancadas, menos saúde, menos ensino, menos segurança e menos justiça.

Deste modo não temos razão alguma para pagar os nossos impostos. Nós seguimos cumprindo a nossa parte e o Estado cada vez mais pequeno, isto é, privatizado. Então para quê pagar tantos impostos? Por quê pagar tantos impostos a quem não cumpre a sua parte?

Não me proporciona cuidados de saúde, ensino decente, segurança. Por que razão este governo delega competências constantemente ao sector privado? Deste modo não há razão para os cidadãos entregarem tantos impostos ao Estado. Se o Estado está cada vez mais pequeno não precisámos de governos tão extensos e de uma Administração Central enorme.

Deste modo seria melhor nós controlarmos a nossa aplicação dos impostos, em seguros de saúde, poupança de reforma, poupança geral. Deste modo tínhamos o dinheiro necessário.

O contrato com o Estado com os diversos governos foi posto em causa e está justificado o não pagamento de impostos. Este desrespeito baseia-se em dados concretos do incumprimento sistemático do Estado das suas obrigações e abandono das suas funções.

A ilusão tornou-se uma desilusão. Não vale a pena manter este contrato com o Estado. O Estado está a viciar o jogo fazendo batota constantemente.

O trabalhar sem futuro e perspectiva de dias melhores é um martírio, é como o amor sem paixão, vivemos numa prisão, passa a ideia que vamos morrer resignados.

Os portugueses são uns otários que deveriam aprender perante todo o tipo de abusos, a não confiar e a rejeitar todas estas situações.

A privatização do país está em curso a começar pela privatização mental.

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