Clube dos Pensadores

A Europa a ver-se grega

alexis tsipras 2015tsiprasA Europa está a ver-se grega com a Grécia e com a vida difícil. Na Idade Média era frequente dizer-se:“Graecum est, non legitur” (É grego, não se entende). O que sei é que a Grécia está a atrapalhar a Europa – não só os países do Norte (ricos) como os do Sul (periféricos e pobres).

A Grécia rejeita a autoridade da troika e mais resgates. Em Portugal foi pena não se bater o pé a uma troika que mais parecia um cobrador-de-fraque que deixou o país com uma pobreza inqualificável em que os portugueses vivem em agonia permanente e no limite. A maior parte dos portugueses está especializada em como “chegar até ao fim do mês” com muita imaginação e perseverança.

Sei que a Grécia em 2010 pediu um empréstimo de 110 mil milhões de euros, o défice grego era de 3,7 por cento, mas na prática de 12,7 por cento. No Verão de 2011, novo resgaste de 130 mil milhões de euros para salvar a Grécia da bancarrota. Actualmente a dívida grega anda à volta de 317 mil milhões de euros que equivale a 175 por cento do PIB do país, sendo a taxa mais elevada da zona euro. A economia grega perdeu 25 por cento do seu PIB.

Os gregos votaram e querem o que está a fazer o governo da Grécia por intermédio de Yanis Varufakis, ministro das Finanças e o primeiro-ministro Alexis Tsipras: rejeitar o actual programa de resgaste e o pagamento da dívida.

Não querem discutir com a troika, afirmando que não passa de uma delegação tripartida anti-europeia e que não tem razão de ser e o mais importante, alegam (e bem) que em 1953 numa conferência em Londres perdoou à Alemanha metade do seu passivo.

Aquando da estadia da troika em Portugal de má memória sempre disse que o pagamento da nossa dívida é inviável e não é possível pagar-se uma dívida tão grande.

O que é interessante com as eleições gregas em que venceu o Syriza, em vez de Portugal ficar contente, se a Grécia beneficiar de uma ampliação de prazos e de um perdão da sua dívida, está assustado.

Mas não é só Portugal, Espanha alinha pelo mesmo diapasão, está em pânico. Portugal emprestou 1100 milhões de euros, Espanha emprestou 26 mil milhões de euros mas isso é do somenos. Os governos de Portugal e de Espanha receiam e estão assustados pelo êxito do Syriza, pelo contágio em próximas eleições. Em Espanha o Podemos vai de vento em popa, em Portugal vamos ver o que acontece.

Neste jogo de fumaça e espelhos, a Grécia quer apoiar-se noutros países mas o que é caricato é que países como Portugal, Espanha e Irlanda, resgatados não lhe dão apoio.

Quando alguém já não tem nada a perder tudo pode acontecer e quando alguém deve muito dinheiro quem está tramado é quem emprestou e não quem deve.

O que se está a passar na Grécia vai ter efeito nas próximas eleições legislativas em Portugal.

O problema grego é o mesmo que Portugal trataram o Estado que é público e zela pelo bem comum, como se fosse uma empresa privada e gerida pelo capricho dos nossos governantes que fizeram o que lhes deu na real gana.

Reconheço que sinto uma certa simpatia por ver o governo grego bater o pé aos poderosos da Europa e mostrar-lhes que as coisas não são como eles querem mas como têm que ser.

O Syriza é a última cartada do desespero dos gregos.

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