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6 de julho, morre Louis Armstrong, a personificação do jazz

Foi cantor, compositor, escritor, ativista político, mas sobretudo um músico de jazz. Louis Armstrong depositou num trompete o seu talento e esqueceu as amarguras de um mundo nem sempre maravilhoso. Morre a 6 de julho de 1971.

Armstrong nasceu em Nova Orleães, a 4 de agosto de 1901. Além de cantor, tenor, compositor produtor musical e trompetista, aventurou-se noutras artes, como escritor, dramaturgo, artista plástico, ator e até maestro. A sua vida é também marcada pelo ativismo político e social – a pobreza na infância funcionou como um apelo para grandes causas.

Louis Armstrong nasceu cercado de dificuldades, num bairro onde não havia diferenças: todos eram pobres. Porém, nem todos foram abandonados pelo pai e entregues pela mãe aos cuidados de familiares. Armstrong conheceu esta realidade.

Porém, maior do que as suas desilusões era a paixão pela música, arte que encontrou na Fisk School for Boys, no início de uma relação eterna. Foi ardina e sapateiro ambulante: fez de tudo para retirar a mãe da prostituição, sem sucesso.

A sua juventude foi o pior período da sua vida, mas também a sua musa inspiradora. Escreveu um dia: “Sempre que fecho os olhos e toco o meu trompete, olho no coração da boa e velha Nova Orleães… Ela deu-me a força para viver”.

Pediu dinheiro emprestado aos familiares para comprar o seu trompete. Formou uma banda de jazz e, por intermédio do seu professor Peter Davis, pôde aprender música. Desde os 13 anos, o som do seu trompete impressionou quem ouvia Armstrong, que encontrara o seu porto seguro: tocava durante o dia, trabalhava à noite numa fábrica de carvão.

A música de Armstrong começou a amadurecer e aos 20 anos já era capaz de ler partituras, desenvolvendo grandes e prolongados solos de trompete.

Em 1922, Louis Armstrong vai para Chicago e começa a despedir-se da pobreza, ainda que nunca tenha dito ‘adeus’ à sua velha Nova Orleães. O jazz tornara-se música ouvida em todos os clubes e Armstrong era uma estrela cintilante.

Viajou por quase todos os estados norte-americanos, até que em 1934 regressou a Nova Orleães, onde foi recebido como um herói. Depois o apogeu, o esquecimento: regressou à estrada e sai de cena, o que o levou a fugir para a Europa.

Após muitos anos na estrada, assenta bagagens em Queens, Nova Iorque, em 1943, com a sua quarta mulher. Apesar de ataques racistas (roubo de correio, pedras atiradas à sua casa) integrou-se com os negros e alguns brancos do seu bairro. Nas três décadas seguintes, integrou diversas bandas e participou em alguns filmes.

Em 1967, grava o tema eterno ‘What a Wonderful World’ – a melhor mensagem que poderia transmitir ao mundo. Armstrong trabalhou até os últimos dias e morreu em paz, a dormir, em Nova Iorque, a 6 de julho de 1971. O jazz perdeu a expressão máxima, mas foi personificado na alma de Louis Armstrong.

Seis de julho, dia da morte de Armstrong, tem diversos eventos gravados na pedra da História. Em 1560, neste dia, o Tratado de Edimburgo é assinado entre Escócia e Inglaterra. Já em 1785, o dólar é escolhido por unanimidade como moeda oficial dos EUA.

Exatamente um século depois, a 6 de julho de 1885, Louis Pasteur testa com sucesso a sua vacina contra a raiva, numa criança que fora mordida por um cão com raiva. E em 1919, o dirigível britânico R-34 aterra em Nova Iorque, completando a primeira travessia do Atlântico.

As empresas e negócios pertencentes a judeus que ainda operavam na Alemanha foram obrigados a fechar neste dia, em 1939: era o prenúncio do Holocausto. Também a 6 de julho, mas em 1942, Anne Frank, a sua família e os judeus passam a esconder-se dos nazis no anexo secreto no escritório do pai da menina, em Amesterdão.

Nas Artes, o primeiro encontro entre John Lennon e Paul McCartney, a 6 de julho de 1957, em Liverpool, está na génese dos Beatles.

E no Desporto, a 6 de julho de 2009, Cristiano Ronaldo é apresentado como novo reforço do Real Madrid, numa histórica cerimónia no Santiago Bernabéu: 80 mil adeptos assistem à chegada do atleta, número que bate todos os recordes. Ronaldo supera os 75 mil adeptos do Nápoles que assistiram à apresentação de Diego Maradona, em 1984.

Nasceram a 6 de julho Jacopo Melani, compositor italiano (1623), Nicolau I da Rússia, czar do Império Russo (1796), Alberto Nepomuceno, compositor brasileiro (1864), Eugen Rosenstock-Huessy, pensador alemão (1888), Morgan Sparks, físico e químico norte-americano (1916), Bill Haley, músico norte-americano (1925), Tenzin Gyatso, atual Dalai Lama e líder religioso do Budismo (1935), Jet Harris, músico inglês (1939), George W. Bush, ex-Presidente dos EUA, e Sylvester Stallone, ator, diretor, produtor e roteirista norte-americano (1946)

Morreram a 6 de julho Henrique II de Inglaterra (1189), Sir Thomas More, político e santo inglês (1535), Eduardo VI de Inglaterra (1557), Guy de Maupassant, escritor francês (1893), Maria Goretti, jovem mártir da Itália (1902), William Faulkner, escritor estado-unidense, Nobel da Literatura (1962), Louis Armstrong, músico norte-americano (1971), Claude Simon, escritor francês, Nobel da Literatura (2005), Robert McNamara, ex-secretário de Defesa dos EUA (2009), Matilde Rosa Araújo, escritora portuguesa (2010), e Maria José Nogueira Pinto, jurista e política portuguesa (2011).

Hoje, assinala-se o Dia Mundial Contra Passageiros Indesejáveis.

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