Hoje é dia

1 de abril, morre Mário Viegas, o poeta declamador

Ator, encenador e declamador, Mário Viegas foi um homem do teatro, do cinema, da poesia, da arte, que quis transportar o sonho ao poder. Morreu a 1 de abril de 1996, sem cumprir o sonho, mas dotando as palavras de um poder imenso. Sossegou-se a voz notável e a presença inesquecível de um génio, que deixou obra e saudade.

Hoje é dia de recordar Mário Viegas, o poeta, o declamador, o homem que criou três companhias de teatro, que atuou nos palcos do mundo de expressão portuguesa.

Foi um dos melhores atores do seu tempo e do tempo dos outros. Dirigiu obras de autores clássicos, desde Samuel Beckett a Anton Tchekov, entre muitos outros.

O talento de Mário Viegas provocou uma coleção de distinções, da Casa da Imprensa, da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e da Secretaria de Estado da Cultura, que lhe atribuiu o Prémio Garrett (1987).

Também fora de Portugal acabou por ser premiado, no Festival de Teatro de Sitges e no Festival Europeu de Cinema Humorístico da Corunha.

Na sua incursão no cinema, integrou o elenco de 15 filmes, de entre as quais ‘A Divina Comédia’, de Manoel de Oliveira (1991), ou ‘Sostiene Pereira’, de Roberto Faenza (1996), onde contracenou com Marcello Mastroianni.

Viegas deu eco à poesia de Fernando Pessoa, Luís de Camões, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo, Eugénio de Andrade, Bertolt Brecht, Pablo Neruda, além de dezenas de outros autores, com recitais únicos.

Transportou a poesia portuguesa para a televisão, com os programas ‘Palavras Ditas’, em (1984), e ‘Palavras Vivas’, de (1991), contribuindo para a divulgação de obras caladas no silêncio dos livros.

Fernando Viegas fez ainda uma incursão pelo mundo da política, candidatando-se a deputado, pela UDP, em 1995. Adotou o slogan ‘O Sonho ao Poder’. Slogan feliz, que dispensa outras palavras.

Acabou premiado, com a Medalha de Mérito do Município de Santarém, em 1993, e com o título de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, que recebeu das mãos de Mário Soares, em 1994. Morre a 1 de abril de 1996, com muitas palavras por dizer e com o sonho longe do poder.

Outros factos se assinalam a 1 de abril. A guerra da independência da Holanda tem início neste dia, em 1572.

Em 1933, Hitler boicota negócios de judeus, congelando as suas contas bancárias. Seis anos mais tarde, termina a guerra civil espanhola, que marca o início da ditadura franquista.

Já a 1 de abril de 1960, o governo sul-africano proíbe os Congressos Nacional Africano e Pan-Africano.

Em 1976, Steve Jobs e Steve Wozniak fundam a Apple. Exatamente um ano mais tarde, o governo democrático espanhol dissolve a Falange Espanhola, partido único do regime ditatorial de Franco.

No ano de 1990, nasce o primeiro partido não-comunista na URSS: o Partido Liberal-Democrata. Em a 1 de abril de 1997, Portugal assume a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em 2001, antigo presidente jugoslavo Slobodan Milosevic entrega-se à polícia jugoslava, um ano antes de a Holanda se tornar no primeiro país do mundo a legalizar a eutanásia, morte assistida.

Nasceram neste dia Go-Saga, 88.º imperador do Japão (1220), William Harvey, físico inglês que descobriu a circulação sanguínea (1578), Sophie Germain, matemática francesa (1776), Otto von Bismarck, político alemão (1815), Joseph Murray, médico norte-americano, Nobel de medicina (1919), e José Rodrigues dos Santos, jornalista português (1964).

Morreram a 1 de abril o Papa Marcelino (304), Zauditu, imperatriz etíope (1930), Jorge II, rei da Grécia (1947), Max Ernst, pintor alemão (1976), Marvin Gaye, cantor norte-americano (1984), e Mário Viegas, ator e declamador português (1996).

Hoje, assinala-se em muitos países o Dia das Mentiras. No entanto, a História não mente.

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