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Relatório de Pedrógão aponta falha humana nas primeiras horas de combate

O relatório sobre o incêndio de Pedrógão Grande, feito pela Comissão Técnica Independente apontou falha humana, nas primeiras horas de combate. A conclusão foi conhecida hoje, divulgada pelo presidente da comissão, João Guerreiro, que entregou o documento ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

Segundo avança a agência Lusa, João Guerreiro adiantou que “nas primeiras horas, deveriam ter sido dadas ordens para retirar as pessoas das aldeias em torno de Pedrógão Grande”.

Com o avanço das chamas, “tornou-se impossível” combater o incêndio.

“O incêndio de Pedrogão Grande é um caso especial de superação do potencial previsível de propagação ao passar por duas alterações de comportamento, a primeira das quais possível (alteração de direção e evolução mais rápida) e previsível, havendo acompanhamento meteorológico; e a segunda muito improvável (colapso da coluna de convecção e downburst), tal como demonstrado pelas simulações de comportamento do fogo. O facto de tal ter sucedido antes do início do verão e à hora do dia em que normalmente diminui a severidade das condições meteorológicas presumivelmente afetou a perceção de risco por parte dos operacionais”, realça o documento.

O incêndio de Pedrógão Grande é “um exemplo e um aviso de como os sistemas atuais de combate a incêndios não estão preparados para enfrentar um novo problema com raiz nas alterações climáticas”.

“Este incêndio tornou esse problema evidente, pelo que urge entender o fenómeno e adaptar as estruturas de proteção civil para adquirir capacidade de antecipação e planeamento face ao mesmo, substituindo a lógica de “mais meios” pela lógica do conhecimento e da pró-atividade”.

“É lícito concluir, portanto, que houve subavaliação e excesso de zelo na análise da fase inicial do incêndio de Pedrógão Grande, que contribuíram para que o ataque inicial não conseguisse debelar o avanço do fogo”, realça o relatório.

A rapidez da propagação do fogo exerceu um papel decisivo na elevada mortalidade: “A intensidade e rapidez do fogo, aliada à ausência de autoridades e de bombeiros, criaram um ambiente de grande intimidação, sobretudo para as famílias que integravam crianças e jovens. Muitas dessas famílias saíram das respetivas casas em plena “tempestade do fogo” resultante do downburst associado ao colapso da coluna de convecção. Na situação de fuga provavelmente pouco haveria a fazer”.

No entanto, e não obstante as características excecionais deste incêndio, “não houve pré-posicionamento de forças, nem análise da evolução da situação com base na informação meteorológica disponível”.

“A partir do momento em que foi comunicado o alerta do incêndio, não houve a perceção da gravidade potencial do fogo, não se mobilizaram totalmente os meios que estavam disponíveis”, insiste o relatório.

“A sociedade portuguesa tem um distanciamento cultural em relação à floresta que urge ultrapassar”

Em matéria de recursos humanos, e no que diz respeito a recomendações, o relatório aponta diversas correções.

“A Escola Nacional de Bombeiros, integralmente financiada por recursos públicos, deverá ser integrada no sistema educativo nacional, transformando-se numa escola profissional e orientando a sua ação prioritariamente para perfis profissionais acreditados. A oferta atual de cursos de curta e muito curta duração, deverá ser avaliada e eventualmente reformulada, explorando as modalidades de ensino a distância”.

“É proposta a criação da Agência de Gestão Integrada de Fogos (AGIF), na dependência direta da Presidência do Conselho de Ministros. Composta por técnicos especializados nas várias temáticas dos incêndios florestais, será suportada por uma estrutura ligeira, com atuação no território”.

Por outro lado, “deverá proceder-se a uma reformulação da Autoridade Florestal Nacional nos seus princípios, forma e capacidade de atuação, preocupada com a regulação do setor florestal em geral e focalizada na gestão das áreas sob regime florestal e na prevenção estrutural”.

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