Política

Reino Unido: Uma ilha na UE, um David que quis ser Golias

david_cameronO Reino Unido de David Cameron está cada vez mais sozinho na União Europeia (UE), depois da cimeira de Bruxelas, que juntou a uma só voz os 17 estados-membros da Zona Euro, outros seis países que partilham a moeda e mais três que se adivinham. Na matemática da UE, facilmente se percebe que há 26 países de um lado e apenas um a navegar sozinho… O primeiro-ministro inglês, David Cameron, foi engolido pelo Golias e é o rosto do isolamento britânico.

É uma ilha na União Europeia. David Cameron não concordou com as alterações aos tratados, discutidas entre Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, e que mereceram o aval de toda a União Europeia, o que coloca o Reino Unido a navegar sozinho nas águas no Atlântico.

Uma vez que as revisões aos tratados necessitam de unanimidade, bastaria o ‘não’ de um país para travar as intenções dos restantes 26. E foi precisamente o que aconteceu, com Cameron a querer impor algumas condições, usando como trunfo esse poder de travar o processo da salvação da moeda única.

No entanto, uma vez que não faz parte da Zona Euro, o Reino Unido não impede que os 17 países que partilham a moeda tomem decisões consideradas fundamentais, no que diz respeito ao rigor orçamental, em nome da segurança destas 17 economias. E nesse sentido esta cimeira europeia permitiu avanços significativos.

As novas regras relativas ao euro avançam, num acordo que será selado por 26 países e deixa de fora o país de Sua Majestade. Este dado representa uma fissura na União Europeia. Os 17 países da Zona Euro rubricam em março de 2012 um tratado intergovernamental.

Ao grupo dos 17 que partilham, além da moeda, este projeto de novos tratados, juntam-se desde já mais seis países: Dinamarca, Roménia, Letónia, Lituânia, Polónia e a Bulgária. Aos 23, somar-se-ão Suécia, República Checa e Hungria.

Após um duro debate de ideias, o acordo a 26 ficou delineado em Bruxelas, deixando de fora os ingleses, que criticaram a proposta apresentada por França e Alemanha. E Sarkozy não terá gostado das palavras do primeiro-ministro inglês.

Os discursos de Nicolas Sarkozy e de David Cameron – sobre os novos tratados da União Europeia – deixaram antever que as relações entre Reino Unido e França não seriam as melhores. De discórdia em discórdia, Sarkozy e Cameron extremaram posições.

E um incidente diplomático retrata as relações tensas entre Reino Unido e França: o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, recusou-se a cumprimentar o primeiro-ministro inglês, David Cameron.

Cameron aproximou-se do Presidente da França para um aperto de mão, mas foi desprezado por Nicolas Sarkozy. O cumprimento foi evitado, como protesto pela posição dos ingleses, que ficam fora de um acordo que tem como objetivo salvar o euro.

As divergências de opinião entre Paris e Londres sobre os tratados para salvar o euro afastaram os representantes dos dois países. Apesar de tudo, os líderes europeus, com exceção de Cameron, atingiram um acordo, tendo em vista aquele objetivo supremo.

De um lado, Sarkozy rejeitou as condições impostas por Cameron. Do outro, o primeiro-ministro inglês considerou que a Inglaterra não tem salvaguardados os seus interesses. A Alemanha passou mais discreta, pelo menos sem que Merkel evidenciasse a distância que separa todos os países da UE de um reino unido e solitário.

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