Economia

Portugal não pede ajuda à troika mas sussura ‘socorro’ ao Eurogrupo

vitor_gaspar3Vítor Gaspar, ministro das Finanças, encontrou na reunião do Eurogrupo um modo de Portugal sussurrar aos ouvidos da troika que não vai conseguir cumprir as metas do défice. Resta saber se os mercados ouviram.

“As metas do défice são difíceis”, revela Gaspar, depois da reunião dos ministros das Finanças dos 27 da União Europeia. Ainda que o ministro não queira ouvir falar em dilatação dos prazos de ajustamento financeiro, certo é que Portugal não vai cumprir as metas que acordou com a troika.

E se um pedido de dilatação por mais um ano para atingir os 4,5 por cento do PIB é má polícia, segundo o Governo, certo é que Vítor Gaspar já procura alternativas, para que Portugal, não conseguindo cumprir o acordado, sair deste retrocesso de forma airosa.

“O que está em causa nesta reunião do Eurogrupo é olhar para o processo de ajustamento português e procurar facilitá-lo”, realçou Vítor Gaspar, depois de terminada a reunião, já na madrugada desta terça-feira.

Numa declaração sobre Portugal, o Eurogrupo aborda expressões como “favorecer o processo de ajustamento”, o que, segundo o ministro Vítor Gaspar, “quer dizer que pode fazer-se progresso adicional”, no sentido “facilitar” a missão de Portugal em atingir as metas.

Na prática, o Eurogrupo vai permitir que o processo de ajustamento seja mais brando, solicitando à troika “que trabalhe em conjunto com as autoridades portuguesas durante o quinto exame regular do programa”, de forma a que o processo de ajustamento “continue a decorrer de forma bem sucedida”. Essa avaliação está prevista para agosto.

Neste encontro, confirmaram-se as notícias de ontem, que davam conta de uma dilatação do prazo (mais um ano) para que Espanha atinja três por cento de défice. Os espanhóis apenas terão de atingir esse objetivo em 2014.

Os ministros das Finanças da Zona Euro pretendem aumentar a sustentabilidade das economias em maior dificuldade e evitar que a solução se transforme num problema.

E Vítor Gaspar assumiu que será “claramente muito difícil” a Portugal atingir os compromissos de 4,5 por cento de défice. “Esse assunto não foi especificamente discutido neste Eurogrupo”, afirma Gaspar, mas a verdade é que essas metas deverão ser revistas.

Depois do pacote de ajuda aos bancos espanhóis, Bruxelas volta a dar sinais de que tem consciência das dificuldades dos países em recuperar desta crise e de que o cenário macroeconómico mudou.

E a abertura de Bruxelas revelada no caso de Espanha foi o primeiro passo para que Portugal, não cumprindo o défice, não seja olhado com descrédito por parte dos mercados. Conseguirá Portugal não cumprir o défice e escapar imune aos mercados? Vítor Gaspar tenta atingir essa meta.

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