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Portugal: da tanga ao fio dental!

“ O país está de tanga!” Jamais esqueceremos esta célebre frase de Durão Barroso, tão actual hoje como há uns anos atrás.

Atrevo-me a afirmar que desde aquele tempo o país nunca deixou verdadeiramente de estar de tanga e quando por fim nos preparávamos para entrar no rumo da recuperação económica somos assombrados pela geringonça, e pelas mesmas políticas que levaram o país à pré-bancarrota de 2011.

A dívida pública e das empresas públicas ao invés de decrescerem, voltaram a crescer com esta governação socialista, o que aliás não é uma surpresa.

Muitas vezes os pessimistas velhos do Restelo têm a sua razão e a verdade é que se estas mesmas políticas no passado nos levaram ao descalabro porque haveria agora de ser diferente?

Gostaria de não ser “velha do Restelo” e de estar hoje a escrever sobre a recuperação económica da nossa Pátria, sobre tempos em que a palavra austeridade, deixou de ter sentido ou sequer de existir no nosso dicionário, mas os números mostram o oposto.

Sempre gostei de números, talvez por estes serem exactos e não alimentarem ilusões.

Gosto da verdade dos números, da sua exactidão, mesmo quando não gosto daquilo que eles demonstram, ainda assim, gosto da forma como vestem a lógica de ciência.

A verdade é que previsões tornam-se realidade sendo sobre factos que hoje escrevo com pesar.

Portugal a minha pátria querida está de fio dental, como parte do território que ardeu em mais um Verão devastador.

Corta-se o investimento na Protecção Civil, abandonando a lógica dos números, números esses que ano após ano demonstram que o produto interno incendiário se mantem. Produto hoje que necessita de investimento e uma nova legislação que nos leve a números progressivamente menos pesados de território queimado.

Falar de pilares sociais em Portugal, Educação e Saúde, é falar de áreas que necessitam urgentemente de reforma. Uma reforma que tem que ser acompanhada pelas distintas esferas partidárias ao longo dos anos, com sustentabilidade. Em políticas sociais é necessário um concenso transversal, sempre que um ministério muda de cor, não podemos esperar fazer imediatamente o oposto no segundo seguinte com o fechar da porta do anterior ministério.

A sustentabilidade exige diálogo e acima de tudo um fio condutor.

Vejamos o exemplo da Educação: como podemos exigir a uma geração examinar as suas bases de Português e Matemática e no ano seguinte, deixar de o fazer, porque o novo Ministério pensa ser o caminho correcto, fazendo tantas vezes ouvidos moucos ao que as demais entidades de Educação defendem, não olhando os números  e a sua lógica.

E é por falar de números que mergulho nos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística relativos ao crescimento económico.

Números esses inferiores em praticamente um terço aos prometidos por António Costa durante a sua campanha eleitoral.

Números que põem em causa o cumprimento do défice, números que nos mostram que as adiadas Sanções da EU estão à porta. Sim? Porque contaram-nos que nos vimos livres delas, quando na realidade apenas foram adiadas…

O retrato que o INE nos fornece da evolução da economia nos primeiros 6 meses deste ano é desolador: o consumo privado, uma das principais apostas de António Costa para reanimar a economia, tal como na era do governo socialista que antecedeu a pré-bancarrota de 2011, perdeu ímpeto, os Portugueses estão naturalmente conscientes das suas limitações.

Sabemos que o Investimento é essencial para a recuperação económica no entanto os mesmos números demonstram após 10 trimestres consecutivos de crescimento, o investimento está a cair desde o início do ano com a governação da geringonça.

E é por falar em geringonça que detectamos o maior problema desta governação.

A par destas políticas nefastas, o discurso anti-empresário, anti-lucro, anti-privado, anti-europa são razões suficientes para explicar a queda do investimento e por conseguinte o crescimento económico do país.

Esta retórica da estatização da vida portuguesa está a afastar projectos de investimento nacional e internacional.

É uma ilusão a que tantas vezes o sangue Português se agarra, pensar que os fundos comunitários vão suprir todas as necessidades de investimento do país e acima de tudo que isso não comporta consequências.

É um sonho, julgar que o Portugal 2020 ou o investimento público são o D. Sebastião que trará consigo, crescimento económico saúdavel com produção e criação de emprego.

Recordemos os TGV’S desta vida, as pontes, as estradas, o Parque escolar, tudo heranças que trouxeram dívida sem gerar o rendimento necessário para a pagar.

Quantos milhares teriam sido suficientes ao invés dos milhões para reabilitar as escolas portuguesas no âmbito do parque escolar?

Estamos de fio dental, e não de tanga, porque vivemos as políticas erradas em cruzamento com o pior discurso político possível para captar o investimento que o país necessita e recuperar a sua economia.

Vivemos dias de ilusão. Dias que foram noticiados pelo Finantial Times hoje, sob o título “ governo trabalha para os votos, não para salvar o país “.

Continua o supracitado jornal financeiro por afirmar:

“O governo português tem maior apetite por anunciar medidas anti-austeridade, para agradar às massas, do que medidas de reforma com o objectivo de tornar o sector público mais eficiente e incentivar o investimento”.

O jornal financeiro traça um quadro preocupante da situação em Portugal, um país que afirma viver numa “tempestade perfeita de baixo crescimento económico, investimento em queda, fraca competitividade, défices orçamentais persistentes e um sector bancário subcapitalizado que é dono de uma parte demasiado grande da enorme dívida pública do país”.

O que preocupa o Financial Times é que, para responder a todos estes desafios, está um “governo socialista minoritário, apoiado no parlamento pela extrema-esquerda”. “A questão é saber se os problemas de Portugal irão tornar um segundo resgate inevitável”, escreve o editor do Financial Times.

Infelizmente cada vez somos mais os “ velhos do Restelo “, neste caso começa a ser grave para o país, as vozes ecoarem nos mercados estrangeiros.

Da tanga ao fio dental, é tempo de começar a rezar para não ficarmos a nu, e quem sabe sonhar em vestir as calças do nosso destino, antes que seja demasiado tarde para a nossa Pátria querida!


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