Cultura

Nobel da Literatura: Transtroemer “é um dos maiores poetas do mundo”

tomas_transtroemerTomas Transtroemer, distinguido hoje com o Nobel da Literatura, “é o maior ou um dos maiores poetas do mundo”, disse o poeta Casimiro de Brito que considera que galardão “já devia ter sido dado há mais tempo” ao escritor sueco.

Em declarações à Lusa, Casimiro de Brito, que integrou a equipa de trabalho que levou à edição de uma antologia de poetas suecos, entre os quais Tomas Transtroemer, afirmou que “é um grande poeta e um grande ser humano”.

Casimiro de Brito realizou vários recitais de poesia com Transtroemer, mas retém um em particular, “há quatro ou cinco anos em Malmö, no sul da Suécia, pouco tempo depois de [ele] ter tido uma AVC” (acidente vascular cerebral), em que esteve também presente o poeta sírio Adónis.

“Como não podia falar e ficou com o lado direito afetado, nos recitais, engenhosamente virou o piano de modo a ficar de costas para o público e tocava sonatas compostas para a mão esquerda, enquanto a mulher lia poemas seus”, contou.

Casimiro de Brito afirmou que o Comité do Nobel tem alguns pruridos em premiar suecos e daí ter tardado esta distinção.

“Eu próprio falei com dois amigos que são do comité, e responderam que o Tomas tinha tempo”, disse, acrescentando: “Ele é o maior lírico da Escandinávia”.

Casimiro de Brito lamenta que Tomas Transtroemer seja um poeta pouco conhecido e sem uma edição própria em Portugal, facto que justificou pela “política das editoras”.

O poeta disse ainda que são “poucos os autores suecos que se encontram publicados [em Portugal]” e salientou que “nem sempre é o mérito o critério para edição”. E rematou: “Eu que não valho nem metade do que vale o Tomas Transtroemer, estou traduzido em 30 línguas, a mais recente em albanês, veja lá se isto se entende”.

Tomas Transtroemer, 80 anos, foi hoje distinguido com o Nobel da Literatura. O poeta está traduzido na antologia “21 poetas suecos”, editada em 1981. “Dos 21 poetas, o Transtroemer era o único que tinha cinco poemas, quando os outros ficaram representados com um ou dois, o que se justifica por ele ser um poeta fantástico”.

Referindo-se à poesia do autor sueco, Casimiro de Brito afirmou: “São poemas breves, mas têm a [mesma] magia da poesia do Herberto Helder, mas menos longos”.

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