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“Não alinho nos foguetes”, diz Cavaco sobre economia portuguesa

Em entrevista ao Expresso, Cavaco Silva diz não entrar na ‘onda’ de otimismo, na análise aos dados recentes da economia nacional. O antigo chefe de Estado não entende os ‘foguetes’ lançados pela comunicação social quando sai um número do INE. E avisa o Governo de que deveria aproveitar a atual conjuntura “extraordinariamente favorável” para corrigir aquilo que chama de “desequilíbrios estruturais”.

O antigo chefe de Estado faz uma análise comparativa da situação económica portuguesa com o que se tem passado com outras economias que foram alvo de assistência financeira.

Concorda com a ideia de que Portugal “está numa trajetória de crescimento desde 2013”, mas salienta, por outro lado, que “está aquém” de outros países em recuperação económica.

“Não alinho nos foguetes que a comunicação social costuma divulgar quando sai um número do INE. Imediatamente vou ver os números dos países da União Europeia, vou pensar se Portugal tem choques assimétricos positivos ou negativos, e depois vou ver o que tem a Espanha, nosso principal mercado, Chipre e Irlanda. Deixo de lado a Grécia, que começou há oito anos, em maio de 2010, e ainda está sob um programa de ajustamento”, explicou Cavaco Silva, nesta entrevista ao Expresso.

Cavaco Silva avisa o Governo da necessidade de cumprir um plano de correção daquilo a que chama de “desequilíbrios estruturais”. E lembra que a envolvente externa é “extraordinariamente favorável”, destacando “taxas de juro extremamente baixas”, ou “a deslocação de turistas de outros destinos para Portugal”.

Perante este cenário, e com “receio de que não se esteja a aproveitar o momento”, o antigo chefe de Estado pretende que o futuro seja acautelado.

Nas declarações ao jornal Expresso, salientou ainda alguns aspetos que não lhe agradam em Portugal. Desde o “enorme endividamento do país”, à “insustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde e do sistema de Segurança Social”.

Aponta ainda um “baixíssima taxa de poupança das famílias, a falta de capital, o inverno demográfico, a baixa produtividade, a reforma do Estado.”

Sobre a solução de Governo atual, Cavaco Silva – que deu posse a António Costa – promete fazer revelações, em breve.

“Um dia contarei o que eles me disseram sobre o Bloco de Esquerda e o PCP”.

Cavaco Silva, quando deu posse a António Costa, avisou que era uma solução “inédita na história da democracia” portuguesa.

Recorde as palavras do então Presidente da República:


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