Clube dos Pensadores

Se a moda pega: chips no nosso corpo!

Uma empresa sueca (Epicenter) recrutou voluntariamente 160 funcionários que têm um microchip implantado no pulso que lhes permite, como diz Jowan Österlund, fundador da Biohax (empresa responsável pelos implantes), falar com as máquinas.

Este microhip permite aos funcionários abrir portas sem cartões, pagar pequenas coisas ou ligar o computador.

Esta ideia de implementar um chip no nosso corpo é perturbadora e um pouco estranha. Isso já acontece nos cães que evita que se percam ou sejam roubados. Esse chip contém um código de identificação individual, que remete para uma ficha de registo de dados sobre o animal (raça, sinais particulares, vacinas, etc.) e o seu proprietário (nome, morada, etc.).

Se calhar o futuro passa por aí, será uma tendência e um passo natural no nosso relacionamento com a tecnologia. Este chip pode ser muito cómodo, pois evita o uso de cartões de crédito, senhas de segurança, chaves, registos médicos ou pessoais. Mas uma coisa é ser facilitador, outra, bem pior, é ser controlador. A pretexto da capa da modernidade e ajudar no dia-a-dia, controlar todos os nossos passos, transformando a nossa vida num Big Brother.

Os precursores desta ideia têm como objetivo precisamente o oposto, que eles querem oferecer às pessoas o controle do seu ambiente digital, dando-lhes os meios para proteger a sua identidade online.

O problema é os donos das empresas controlarem os seus funcionários. Os governos controlarem, cada vez mais os cidadãos: um chip de impostos; etc.

A questão é mesmo essa: o aproveitamento de uma boa ideia para outros fins. A suspeita é pertinente.

Na área da saúde a utilização do chip será mais apropriada e interessante. Principalmente, para gente idosa e com doenças crónicas: alertar um doente com diabetes (excesso de açúcar): alertar doentes com colesterol elevado; alertar para a falta de água no nosso organismo; alertar para a falta de um mineral qualquer; entre outros.

No fundo dizer o que nosso organismo precisa, ensinar e alertar para corrigir determinadas deficiências.

O futuro, com certeza, será um cyborg com poderes extraordinários, que irá muito mais, para além destes. As séries de televisão e filmes de ficção dão-nos conta disso.

Sou a favor de tudo que ajude um cidadão a ter melhor qualidade de vida e na resolução dos seus problemas do dia-a-dia. Utilizar essa tendência tecnológica para ter acesso à minha vida privada e controlar os meus passos. Isso nunca!

A privacidade é algo inegociável e não pode depender de modas e tecnologias de ponta. Por outro lado, a ideia de andar controlado é censurável e desprezível numa democracia evoluída.

O fascínio não se pode tornar um pesadelo.


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