Saúde

Médicos mantêm greve até ministro definir calendário de aplicação de medidas

medico2Federação Nacional dos Médicos (FNAM) apenas suspenderá a greve depois de o Ministério da Saúde criar um calendário para a aplicação das medidas exigidas pela FNAM. Mário Jorge Neves, dirigente daquela federação, garante que a greve se mantém em agenda.

Não há suspensão da greve dos médicos enquanto o ministro da Saúde, Paulo Macedo, definir quando irá aplicar as medidas a que se comprometeu, de modo a evitar esta paralisação. A FNAM lamenta que essa calendarização ainda não tenha sido feita pelo Ministério da tutela e diz que não se satisfaz com as palavras de Macedo.

Assim, a greve para as próximas quarta e quinta-feira continua marcada, apesar da abertura que Paulo Macedo tem manifestado em atender as pretensões dos médicos. Por outro lado, a classe ficou desagradada com as declarações do ministro da Saúde, que considerou a hipótese de avançar para a requisição civil, em caso de greve.

Estava agendada para ontem uma reunião entre o Ministério da Saúde e a FNAM, mas não se realizou, uma vez que os dirigentes sindicais primaram pela ausência. Esta decisão do sindicato prende-se com o desagrado relativamente às contrapropostas de Paulo Macedo.

Apesar desta ausência na reunião deste domingo, a FNAM revela-se disponível para avançar para negociações depois da greve. Mário Jorge Neves revela à TSF que a postura de abertura do Ministério da Saúde peca por tardia, sendo que não apresenta “resposta às questões concretas que os médicos apresentam como essenciais.

Só existe um modo de a greve ser cancelada: Paulo Macedo revelar se aceita ou não as propostas dos médicos e, caso aceda a essas imposições, quando pretenderá aplicá-las. Os médicos querem informações concretas.

“Não temos dúvida, e o Ministério da Saúde e o Governo também não terão, de que a greve vai ter um êxito retumbante”, revelou também à Lusa Mário Jorge Neves. “Há 20 anos” que a FNAM não tinha “expectativas desta grandeza”, nem assistia a uma movimentação “com esta amplitude e grau de indignação”, salienta ainda o responsável da FNAM.

Esta greve será acompanhada de uma concentração nas imediações do Ministério da Saúde, sendo que os médicos se apresentarão no protesto de batas brancas, “a manifestar a sua indignação”.

As declarações recentes – nas quais Paulo Macedo adiantou que o Ministério da Saúde pretende contratar 2000 médicos até ao próximo ano – não bastam para satisfazer a classe.

“Não são questões avulsas discutidas na praça pública, através da comunicação social, que esvaziam uma greve”, disse Jorge Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), também em declarações à Lusa. Para Roque da Cunha, as palavras do ministro da Saúde são “uma encenação mediática”, que pretendem “dar a entender que só os médicos é que não querem falar”.

Por seu turno, José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos considera que esta greve faz todo o sentido, até porque as mudanças que se anunciam são “operações de cosmética” e não “medidas de substância”.

Os médicos acusam o Governo de levar a cabo uma política que “desqualifica os profissionais de saúde”, o que irá ter repercussões para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). O atendimento aos doentes está posto em causa.

A classe apresenta 20 exigências, entre as quais o fim do concurso para contratar serviços médicos. A FNAM, o SIM e a Ordem dos Médicos lembram que o SNS é um pilar “de coesão e do Estado social”.

Entre os pontos mais contestados pelos clínicos está “o golpe fatal na carreira médica, agravada com a abertura de concurso para trabalho à peça, sob a forma de prestação de serviços, representando 2,5 milhões de horas anuais, equivalentes ao trabalho de 1700 profissionais”.

A Ordem dos Médicos recebeu uma série de “propostas que pretendem responder a questões que constam do pré-aviso de greve dos sindicatos”. Manifestando o desejo dum “acordo que satisfaça as preocupações dos médicos”, a Ordem apelou ao Governo para dialogar com as estruturas sindicais.

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