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11 de março, dia de lembrar o desastre nuclear de Fukushima

A 11 de março de 2011, um sismo e um tsunami atingiram uma central em Fukushima, provocando o maior desastre nuclear desde Chernobil. Em Espanha, em 2004, um atentado mata mais de 190 pessoas.

Numa sexta-feira que parecia igual às outras, o chão tremeu. Um tremor de terra, com magnitude 9.0, fez levantar um tsunami que varreu uma grande parte do arquipélago japonês. Era o dia 11 de março de 2011.

Na frente da muralha de água estava a central nuclear de Fukushima Dai-ichi. Dois reatores não resistiram ao impacto, libertando radioatividade para o ar. Em desespero, os responsáveis da Tokyo Electric Power Co (TEPCO), a operadora da central, mandaram vazar a água utilizada para tentar arrefecer os reatores, contaminando o mar para as próximas décadas.

Quase 20 mil pessoas morreram e mais de 400 mil foram obrigadas a deixar a região, num perímetro de 20 quilómetros. Mas a evacuação poderia ter tido uma escala de guerra.

Naoto Kan, o primeiro-ministro do Japão que defendia a aposta na energia nuclear, realçou que o desastre esteve “a uma folha de papel” de obrigar à retirada de mais de 50 milhões de pessoas.

“Desde 11 de março, quando ocorreu o incidente, até ao dia 15, os efeitos [da contaminação radioativa] estavam a expandir-se geograficamente. De 16 a 20, conseguimos deter o avanço da radiação, mas a margem de que dispúnhamos era da largura de uma folha de papel. Se os tambores de combustível de todos os seis reatores tivessem derretido, Tóquio seria sem dúvida afetada”, revelou o antigo governante.

Tal catástrofe só foi evitada com o bombeamento de água do mar para refrigerar os reatores, o que provocou danos irreparáveis no ambiente marinho por um período de tempo incalculável.

Uma resposta desesperada que levou o diretor da central, Masao Yoshida, a pensar no ‘hara-kiri’, o ritual em que quem perdeu a honra se suicida.

As autoridades calculam que dez por cento das pessoas desalojadas continuem a viver em acomodações temporárias. Muitos conseguiram recomeçar a vida, mas uma grande parte da região continua interditada devido à radiação. Nas contas da TEPCO, serão precisas décadas para recuperar alguma da normalidade de Fukushima.

Outros factos históricos de 11 de março, anteriores a 2004, devem ser assinalados neste dia.

 Em 1778, é rubricado o Tratado de El Pardo, entre a rainha portuguesa Maria I e o rei espanhol Carlos III.

Maria I cede terras portuguesas de África, em troca de territórios espanhóis na América do Sul, que viriam a ser anexados ao atual Brasil.

Em 1851, estreia em Veneza a ópera ‘Rigoletto’, do compositor italiano Giuseppe Verdi. E a 11 de março de 1975, dá-se uma tentativa de golpe militar em Portugal, que permite a criação de um Conselho da Revolução, em vésperas do 25 de Abril.

Mikhail Gorbachev é eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética em 1985, iniciando o processos que levou ao fim da URSS: a Glasnost (transparência do poder) e a Perestroika (reestruturação). É introduzida na Rússia uma economia de mercado.

A 11 de março de 1988, chega ao fim da guerra entre Irão e Iraque, com um cessar-fogo declarado neste dia. E em 2006, Michelle Bachelet torna-se a primeira mulher a tomar posse como presidente do Chile.

Um massacre numa escola de Winnenden (Alemanha), levado a cabo por um jovem provoca 15 vítimas mortais, a 11 de março de 2009. Um dos mortos é o assassino em série.

Em 2004, uma série de ataques terroristas em quatro comboios da rede ferroviária de Madrid, da autoria da al-Qaeda, mata 192 pessoas e provoca 2050 feridos. 

Nasceram neste dia Torquato Tasso, poeta italiano (1544), Henrique Benedito Stuart, nobre britânico (1725), Januária Maria de Bragança, princesa do Brasil e Infanta de Portugal (1822) Ástor Piazzolla, compositor argentino (1921), e Rupert Murdoch, magnata da comunicação social (1931).

Morreram neste dia Imperador Jimmu, primeiro imperador do Japão (585 AC), Vladimir Odoievsky, filósofo, escritor, crítico musical, filantropo e pedagogo russo (1869), e Thilo Krasmann, maestro português (2004).

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