PsicoLab

A manipulação doentia nas relações

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Roubo-te um beijo sempre que te vejo. Quando te beijo sinto que vejo muito de ti. Quero estar contigo, bem perto de ti. Quero o teu beijo junto dos meus lábios. Desejo o teu cheiro, anseio pelo teu toque e descontrolo-me com o teu sorriso. Só penso em ti! Quero ouvir sempre a tua voz. És só minha! Não és de mais ninguém!

Algumas relações são alimentadas com falsas esperanças e dizeres traiçoeiros. Um jogo de sedução e de secretismo que pretende controlar e descontrolar. Uma manipulação desejada pelo ator, que no seu mundo hedonista se regozija com a candura do alvo. «És minha e eu não sou teu.» ou «És meu e eu não sou tua.» ou «És meu e eu não sou teu.» ou «És minha e eu não sou tua.». Uma rede lançada para dar início ao «jogo». Nalguns casos chega a extremos de poder, cuja «presa» fica agarrada por muito tempo e permite, em «estados de loucura», aquilo que jamais permitiria a alguém (por exemplo, magoar-se seriamente ou deixar-se magoar em prol do «amor louco» e do desejo). Mais facilmente quando o álcool e a droga se misturam na diversão. Todavia, nem sempre estes ingredientes perniciosos estão presentes e nem sempre estas relações caminham para limites extremos. Há versões menos exageradas, que não deixam de magoar. Há o jogo psicológico do dar e tirar, da argumentação eloquente que viabiliza um comportamento invulgar, até chegar ao domínio absoluto. A partir desse momento, tudo fica mais difícil (para um dos lados). Se perguntarmos a cada um de nós, claramente dizemos que jamais aceitaríamos viver dessa forma (como vítimas de alguém «delirante»). A realidade é que as nossas ações e reações dentro da nossa vida, vivenciando as situações, nem sempre convergem com a nossa resposta quando imaginamos uma situação, um cenário hipotético. Vão demasiadas vezes ao encontro do que dizemos não fazer ou afirmamos não deixar acontecer. Por isso, tenhamos cuidado, estando atentos, e saibamos aconselhar quem está ou pode passar por situações semelhantes. Jovens e adultos. Em ambas as faixas etárias ocorrem estes relacionamentos. Trajetos relacionais de manipulação, abuso e desrespeito não fazem bem à saúde.

Os predadores (de ambos os sexos) muitas vezes jogam com várias pessoas em simultâneo (nem sempre com conhecimento das partes envolvidas), lançando-lhes uma espécie de feitiço. Adoram o controlo, o poder. Eles têm direitos, inclusivamente o acesso a múltiplos relacionamentos, e os seus subordinados ou suas subordinadas têm deveres, inclusivamente a obrigatoriedade da fidelidade e exclusividade à relação de ambos. Se houver incumprimento, perante estas regras, os castigos podem ser severos, física e/ou psicologicamente. Por vezes, há mesmo a necessidade, num ato sádico, de deixar a marca no território (leia-se, corpo) de forma bem visível. É como enviar a mensagem: «Se passas a linha, já sabes o que te espera!». O mais preocupante é que nalguns casos as vítimas não querem aceitar que vivem numa relação deste tipo, isto é, negando a fragilidade da sua posição dentro da relação, admitindo, ainda, nalguns casos, que é impossível resistir à sedução – a dependência emocional da presa e o medo da rejeição. Ou seja, há uma legitimação destas práticas que permite o predador continuar com o comportamento doentio – a dependência do predador e a necessidade do exercício do controlo, do poder.

Há várias formas de «jogar». Embora o objetivo final seja o mesmo – o domínio (quase) absoluto na relação, pelo prazer que isso proporciona – a forma de expressão destas pessoas é muito variável, porque há um ajustamento à vítima em causa, dado que cada pessoa tem vulnerabilidades diferentes, logo modos de ação e reação distintos. Esteja atento(a) aos sinais. Se estiver a viver uma situação semelhante, procure ajuda especializada. Se conhece alguém que esteja a viver uma situação deste tipo, não hesite em alertá-la e encaminhá-la para profissionais habilitados ou abrir-lhe essa possibilidade. Para além disso, os profissionais conhecedores destas realidades devem proporcionar momentos de partilha destas informações, e dos relacionamentos em geral, com os mais jovens para que a prevenção seja o caminho desejável, ajudando a evitar relacionamentos deste tipo, aumentando o conhecimento das pessoas para que possam ter um posicionamento diferente dentro dos seus relacionamentos, para que façam uma melhor análise dos seus relacionamentos passados e, finalmente, para que possam saber como atuar nos relacionamentos presentes e futuros


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