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Maioria dos lisboetas contra touradas impostas pela Casa Pia e pelo município

Sondagem realizada pela Universidade Católica revela que 69 por cento dos lisboetas são contra a promoção de touradas pela Casa Pia na Praça de touros do Campo Pequeno

A propósito da polémica sobre o envolvimento da Câmara Municipal de Lisboa na promoção de touradas na praça de touros do Campo Pequeno, e da insolvência da sociedade que gere o recinto, a plataforma Basta encomendou uma sondagem à Universidade Católica, realizada no concelho de Lisboa, que revela que 69 por cento dos lisboetas são contra a promoção de touradas pela Casa Pia na praça de touros do Campo Pequeno.

O estudo, realizado em maio de 2018 pelo CESOP – Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, inquiriu 1009 cidadãos do concelho de Lisboa, incidindo na opinião dos lisboetas sobre as touradas na cidade, nomeadamente, na praça de touros do Campo Pequeno.

Recorde-se que a praça de touros do Campo Pequeno é propriedade da Casa Pia de Lisboa, e que desde 1889 existe um protocolo de cedência do terreno da praça de touros, assinado entre a Casa Pia e a Câmara Municipal de Lisboa.  Nesse protocolo do século XIX, a autarquia condicionou a instituição a realizar touradas naquele espaço, caso contrário (se for dada outra finalidade ao recinto) o espaço volta para a propriedade da Câmara.

Para Manuel Eduardo dos Santos, biólogo e porta-voz da plataforma Basta, “esta situação coloca a instituição numa situação bastante embaraçosa”.

“Sendo a Casa Pia de Lisboa um instituto público que tem como missão a promoção dos direitos e a proteção das crianças e jovens, não faz sentido que a instituição perpetue a utilização do recinto para esta finalidade e a autarquia esteja a colocar esta imposição da realização de um tipo de espetáculo violento e que coloca em risco a segurança e saúde dos mais jovens”, salienta.

Os dados recolhidos nesta sondagem indicam que 17 por cento dos lisboetas são a favor da promoção de touradas pela Casa Pia de Lisboa.

Uma maioria significativa dos cidadãos lisboetas (64 por cento) também não concorda com o apoio da autarquia à realização de touradas no Campo Pequeno, e 75 por cento são contra a utilização de dinheiros público para financiar esta atividade.

De acordo com os dados recolhidos, 89 por cento da população de Lisboa nunca assistiu a uma tourada na praça de touros do Campo Pequeno (desde a reabertura em 2006). Apenas 11 por cento da população assistiu a espetáculos tauromáquicos na praça de touros nos últimos 12 anos.

A sondagem da Universidade Católica também questionou os cidadãos sobre se concordam com a realização de outro tipo de eventos culturais na praça de touros (não relacionados com touradas) e a resposta dos lisboetas foi clara: 96 por cento concordam que a praça de touros acolha outros eventos.

Estes dados revelam que as touradas não são um espetáculo atrativo para a população, e que é absurdo que em 2018, a autarquia continue a impor a realização de eventos de violência contra animais no centro de Lisboa.

O protocolo de 1889 foi assinado num contexto histórico próprio e bastante desfavorável para a indústria das touradas. Recorde-se que em 1836, após uma grande oposição à tauromaquia durante a revolução liberal, Passos Manuel proibiu a realização de touradas em todo o território. Sendo estes espetáculos uma importante fonte de receita para a Casa Pia e Misericórdias, estas instituições conseguiram convencer o Governo a revogar o decreto, procurando dar uma finalidade útil às touradas, minimizando os danos da violência inerente ao espetáculo. Desta forma, as touradas passaram a ser autorizadas, apenas com fins beneméritos, revertendo as suas receitas para a Casa Pia (no caso de Lisboa) e para as Misericórdias (no resto do país).

Com a necessidade de construção de um recinto para a realização de touradas em Lisboa, a Casa Pia solicitou à Câmara Municipal a cedência do terreno do Campo Pequeno para erguer a praça de touros. A Câmara aceitou ceder o terreno, com a condição que ele servisse para a realização de touradas e não lhe fosse dado outro fim, caso contrário a Casa Pia perdia a posse do mesmo.

Atualmente a Casa Pia já não depende das receitas das touradas para realizar o seu trabalho social, e seria obviamente preferível, a todos os títulos, que estivesse dispensada desta imposição anacrónica. Esta imposição não só condiciona o trabalho da Casa Pia, como prejudica o processo de venda da concessão do recinto, pelo que a plataforma Basta considera que está na altura do protocolo entre a Casa Pia e a Câmara de Lisboa ser revisto.

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