Sociedade

Mãe de Rui Pedro fala em “declarações duras” e elogia coragem da prostituta

filomena_teixeira_mae_rui_pedroÀ saída do Tribunal de Lousada, Filomena Teixeira, mãe de Rui Pedro, reagiu às declarações de Alcina Dias, a prostituta que apontou o dedo acusador na direção do arguido Afonso Dias, acusado de rapto qualificado do menor. “São declarações duras, mas que apuram a verdade. Confirma-se tudo o que nós suspeitávamos”, afirmou, elogiando a “coragem” da mulher que prestou depoimento. Já o advogado da família, Ricardo Sá Fernandes, coloca a hipótese de Rui Pedro estar “vivo, mas sem memória do que lhe sucedeu”.

Filomena Teixeira, mãe do jovem Rui Pedro, desaparecido desde 1998, reagiu ao depoimento da prostituta Alcina Dias, que acusou Afonso Dias de ter levado o menor para um encontro sexual e, posteriormente, de o ter conduzido a Lousada.

Este foi o facto relevante da quinta sessão do julgamento do caso do desaparecimento do menor. “Custou-me ouvir tudo o que foi dito. Mas custou, sobretudo, saber que se confirma que quiseram levar o meu filho a prostitutas. A mulher foi muito corajosa em dar a cara”, afirmou aos jornalistas Filomena Teixeira, à porta do Tribunal de Lousada.

A mãe de Rui Pedro aceita as declarações da prostituta como válidas e não duvida da sua veracidade. “São declarações duras, mas que apuram a verdade. Confirma-se tudo o que nós suspeitávamos”, revelou Filomena Teixeira, que trava uma de duas lutas: encontrar o seu filho vivo, ou, nessa impossibilidade, saber o que lhe aconteceu.

Alcina Dias conta que Rui Pedro lhe foi entregue por Afonso Dias. O objetivo era que o menor tivesse um encontro sexual. No entanto, a prostituta entregou de novo Rui Pedro a Afonso, porque o menor chorava e estava nervoso.

Segundo a versão desta mulher, em depoimento no Tribunal, o menor foi de novo entregue a Afonso Dias e ambos seguiram num Fiat Uno em direção a Lousada, no dia 4 de março de 1998. Nunca mais foi visto pela prostituta, que não forneceu mais pistas

O advogado Ricardo Sá Fernandes perguntou à mulher, na sessão de hoje, se o adulto que transportava Rui Pedro estava naquela sala de tribunal e, caso estivesse, pediu que indicasse quem era. O dedo de Alcina Dias apontou na direção do arguido, Afonso Dias, revelando ter “certeza absoluta” de quem se tratava.

Estas declarações foram desacreditadas pela defesa, que apontou incongruências no relato do episódio. Por outro lado, segundo a defesa, Alcina Dias nunca antes fora capaz de identificar Afonso Dias, nas fases anteriores do processo. Nesse sentido, é estranho que tenha tantas certezas de factos que nunca mencionara.

“Rui Pedro pode estar vivo”

Segundo Ricardo Sá Fernandes, advogado de acusação, é possível que Rui Pedro esteja vivo, ainda que de alguma forma possa estar impossibilitado de contactar a família, ou sem memória do sucedido, antes do alegado encontro com a prostituta.

O julgamento do caso Rui Pedro arrancou no dia 17 de novembro, no Tribunal de Lousada, 13 anos após o desaparecimento do jovem, que se deu em 1998. Afonso Dias responde pelo crime de rapto qualificado.

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