Cultura

Lobo Antunes: “Sócrates é fácil de apanhar, não é inteligente”

António Lobo Antunes concedeu uma entrevista a Vítor Gonçalves, emitida nesta quarta-feira na RTP3. Uma conversa para memória futura, uma viagem ao passado, à infância, às memórias lúcidas de episódios que talharam a personalidade do escritor.

Reduzir esta brilhante conversa a política é redutor. Mas as frases que Lobo Antunes dedica a José Sócrates são extremamente fortes para não merecerem destaque.

Primeiro, elogios a Marcelo Rebelo de Sousa.

“Temos um excelente Presidente da República. Comoveu-me ver o comportamento do Presidente da República durante os incêndios. E eu tenho as maiores reservas quanto aos políticos”, diz.

“Marcelo não é um homem que funciona em pseudo-self. Ou seja, aquilo é sincero. Consigo perceber isso. Fui ‘treinado’ para tal”, explica o escritor, formado em Medicina.

Depressa o tema sobre a sinceridade dos políticos remete Lobo Antunes para José Sócrates.

“Vi uma entrevista sua, há uns tempos, aqui, com um antigo dirigente partidário e não acreditava em nada do que ele dizia”.

“Está a falar de José Sócrates?”, questiona Vítor Gonçalves.

“Sim, sim. Estou a falar desse. Se eu estivesse a fazer essa entrevista não a fazia daquela maneira. Ainda por cima ele é fácil de apanhar, porque sem sequer é um homem muito inteligente. É ávido, mas não é inteligente”, sustenta.

“Você foi muito simpático com ele… embora a sua cara estivesse bastante grave e tivesse sorrido tão pouco. Essa entrevista foi indignante, para mim. Lamento que possam existir pessoas assim…”.

António Lobo Antunes regressa a Marcelo, ‘empurrado’ por Vítor Gonçalves, que viria a regressar ao tema, mais tarde. Porque é que Marcelo conquistou Lobo Antunes?

“Então não é tão bom as pessoas serem beijadas e abraçadas? Eu, às vezes, ia a casa da minha avó e ela dizia-me: ‘vens porquê, filho?’. ‘Porque quero que me beijes’. Ela dava-me a mão e beijava-me. Era tão importante para mim”, recorda.

“Os afetos são muito importantes para os portugueses. Não somos muito expansivos, mas as coisas calam-nos fundo, sabe? E eu tenho de estar grato a tanta gente que fez tanta coisa por mim… Passei por muitas situações difíceis. Cancros… E a maneira como me trataram foi excecional. E isso foi tão importante. Sorrir. Tocar numa mão. O pudor da ternura é comovente para mim”, afirmou.

A entrevista de Vítor Gonçalves regressa a José Sócrates. E o escritor escolhe bem as palavras, ainda que duras, para comentar o caso: “Acho que o que se está a passar é medíocre, reles. Prefiro não pensar. Nem me interessa”.

Lobo Antunes prefere elogiar os portugueses, Portugal. “Gosto. Gosto do meu País. Gosto muito de ser português”, realça.

“Uma vez, o meu irmão Miguel, já no fim da vida do meu pai, perguntou: ‘o que é que o pai gostava de deixar aos seus filhos?’ A resposta dele foi muito clara: ‘o amor das coisas belas, ou pelo menos das que eu considero belas’. Isto foi uma bela herança”, termina.

Pode ver a entrevista neste link, sendo que as declarações sobre Marcelo e José Sócrates são proferidas a partir do minuto 36. António Lobo Antunes volta a falar do antigo primeiro-ministro.

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