Saúde

Greve dos médicos com “adesão brutal” adia 5000 cirurgias e 398 mil consultas

medicoA paralisação dos médicos vai suspender a saúde, na próxima quarta e quinta-feira, com os sindicatos a anteverem uma “adesão brutal” e o ministro da tutela a confirmar este cenário com números: Paulo Macedo perspetiva que 5000 cirurgias e 398 mil consultas tenham de ser remarcadas.

Os médicos vão suspender o setor, na quarta e quinta-feira, com uma greve nacional que se prevê “brutal”, de acordo com informações dos sindicatos, que aguardam uma forte adesão. Os hospitais vão paralisar, sendo que alguns centros de saúde podem mesmo encerrar as portas, apenas com serviços mínimos garantidos.

Os utentes só devem deslocar-se às unidades de saúde em caso de necessidade extrema, uma vez que os serviços não terão capacidade de atendimento. De acordo com dados do ministro da Saúde, Paulo Macedo, em apenas dois dias esta greve deverá adiar 5000 cirurgias e 398 mil consultas.

As declarações recentes – nas quais Paulo Macedo adiantou que o Ministério da Saúde pretende contratar 2000 médicos até ao próximo ano – não bastam para satisfazer a classe.

“Não são questões avulsas discutidas na praça pública, através da comunicação social, que esvaziam uma greve”, disse Jorge Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), também em declarações à Lusa. Para Roque da Cunha, as palavras do ministro da Saúde são “uma encenação mediática”, que pretendem “dar a entender que só os médicos é que não querem falar”.

Por seu turno, José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos considera que esta greve faz todo o sentido, até porque as mudanças que se anunciam são “operações de cosmética” e não “medidas de substância”.

Os médicos acusam o Governo de levar a cabo uma política que “desqualifica os profissionais de saúde”, o que irá ter repercussões para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A classe apresenta 20 exigências, entre as quais o fim do concurso para contratar serviços médicos. A Federação Nacional dos Médicos, o Sindicato Independente dos Médicos e a Ordem dos Médicos lembram que o SNS é um pilar “de coesão e do Estado social”.

Entre os pontos mais contestados pelos clínicos está “o golpe fatal na carreira médica, agravada com a abertura de concurso para trabalho à peça, sob a forma de prestação de serviços, representando 2,5 milhões de horas anuais, equivalentes ao trabalho de 1700 profissionais”.

A Ordem dos Médicos recebeu uma série de “propostas que pretendem responder a questões que constam do pré-aviso de greve dos sindicatos”. Manifestando o desejo dum “acordo que satisfaça as preocupações dos médicos”, a Ordem apelou ao Governo para dialogar com as estruturas sindicais.

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