Sociedade

Famílias portuguesas em crise obrigam crianças a emigrar e retêm reformas dos idosos

dividasAs dificuldades económicas das famílias portuguesas estão a provocar um aumento de casos de emigração de crianças, alerta o Conselho da Europa. Comissário Nils Muiznieks, responsável pelos direitos humanos, denuncia ainda o aproveitamento de reformas dos idosos, que são retirados dos lares para que as famílias possam usufruir das suas pensões.

Comissário do Conselho da Europa para os direitos humanos, Nils Muiznieks, denuncia que há crianças que estão a ser vítimas de exploração, em diversos países europeus, como efeito do agravamento das dificuldades económicas. O desemprego dos pais está a gerar um fenómeno de emigração infantil, sendo que estas crianças acabam por ser exploradas.

A denúncia de Nils Muiznieks, que analisou a realidade portuguesa, consta de um relatório, apresentado nesta terça-feira. O trabalho foi realizado após uma análise do cenário económico em Portugal e das soluções encontradas pelas famílias para enfrentar a perda de rendimentos.

A emigração é um dos caminhos para a sobrevivência nas famílias, mas há outros métodos que representam atropelos aos direitos humanos: os idosos estão a ser retirados dos lares, apenas para que as famílias possam usufruir das reformas.

Esta pesquisa do comissário do Conselho da Europa está resumida num relatório de 18 páginas, que dá conta de um fenómeno de emigração de crianças portuguesas para os diversos estados-membros da União Europeia.

Nils Muiznieks visitou Portugal entre os dias 7 e 9 de maio, sendo que analisou os efeitos da crise no seio familiar e no respeito pelos direitos humanos. As conclusões suscitam uma reflexão.

O comissário para os direitos humanos ouviu diversos especialistas e sentiu o pulso quer das crianças, quer dos idosos, bem como a sua integração na família. A crise, o crescimento do desemprego e o corte de rendimentos dos agregados levaram ao extremo, com atropelos dos mais elementares direitos, com o regresso do trabalho infantil e da extorsão de idosos.

De acordo com este relatório, os elevados indicadores de abandono escolar que se assinalam em Portugal podem agravar-se em virtude desta crise, com um regresso ao passado, no que diz respeito ao trabalho infantil e à exploração dos filhos.

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