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Face Oculta, Dia 1: Justiça surda no dia em que os arguidos juram inocência

face_oculta_manuel_godinhoPrimeiro dia do julgamento do caso ‘Face Oculta’ marcado pelas declarações de inocência dos arguidos, entre os quais Armando Vara e José Penedos. Indiferente, o Tribunal de Aveiro rejeitou a pretensão de Manuel Godinho, que queria ver suspensa a obrigatoriedade de apresentações na PSP. Paulo Penedos também viu o tribunal negar a destruição de conversas telefónicas que envolvem o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

Na primeira sessão do julgamento, os advogados de defesa criticaram os meios que conduziram à acusação, sobretudo as escutas. O advogado de José Penedos, Rui Patrício, defendeu que o caso Face Oculta nasceu “em escutas a partir de suposições”, sem “elemento de prova”.

Por seu turno, o ex-ministro Armando Vara reiterou a sua inocência – “estou tranquilo, porque a minha inocência mo permite”, afirmou, à entrada para o Tribunal de Aveiro. E José Penedos, ex-presidente da REN, garantiu que está “inocente desde o primeiro dia”.

Paulo Penedos, pela voz do seu advogado, Sá Fernandes, partiu com “a expectativa de que será feita justiça”. Dentro da sala de audiências, o julgamento começou com um resumo da acusação, feita com recurso a uma projeção de diapositivos.

Hoje, ficou a saber-se que apenas os arguidos Armando Vara, José Penedos, Paulo Penedos e Lopes Barreira prestarão depoimentos.

Os juízes indeferiram um recurso de Paulo Penedos, que pretendia que as escutas telefónicas do processo – nas quais constam conversas com José Sócrates – fossem destruídas. Paulo Penedos viu o tribunal negar-lhe razão, no recurso apresentado tendo em vista a destruição de conversas telefónicas que envolvem o ex-primeiro-ministro.

Outra decisão do tribunal, neste primeiro dia do julgamento presidido pelo juiz Raul Cordeiro, foi a rejeição de uma pretensão de Manuel Godinho: a suspensão das apresentações periódicas do posto da polícia, a que está obrigado.

O julgamento do caso Face Oculta começou em Aveiro, após mais de dois anos de fase processual. O caso, que envolve 36 arguidos, está relacionado com alegados casos de corrupção, crimes de burla, branqueamento de capitais e tráfico de influências, para favorecer Manuel Godinho em diversos concursos públicos.

Segundo o Ministério Público, o Estado terá sido lesado em cerca de 5,6 milhões de euros, em virtude de uma alegada rede tentacular.

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