Motociclismo

Etapa escaldante no Portugal de Lés-a-Lés

A 19ª edição do Portugal de Lés-a-Lés prossegue a sua ‘caminhada’ para sul. O maior passeio mototurístico da Europa sentiu na pele as altas temperaturas que se fazem sentir por todo o país no percurso que ligou o Fundão a Elvas, trajeto de 318 quilómetros cozinhados em lume… bem intenso, com o ‘forno’ a chegar bem perto dos 45.º C.

A jornada que até começou fresca, com os primeiros dos 1800 motociclistas a saírem da Capital da Cereja com temperaturas amenas, na ordem dos 25.º… às 6 horas da madrugada.

As primeiras curvas, ao longo de 30 quilómetros na bem tratada estrada N238, foram o ‘aperitivo’, mas não sem antes prestar homenagem ao Padre Zé Fernando, parando na Aldeia Nova do Cabo, à porta da casa onde viveu o impulsionador do Dia do Motociclista.

Apaixonado pelas duas rodas, dizia muitas vezes que “até 100, Deus protege; a partir de 100, Deus acolhe”, frase bem enquadrada com o espírito mototurístico do Lés-a-Lés – a que deu a primeira partida, em 1999, aos 100 motociclistas que arrancaram de Rio de Onor.

Espírito presente na ligação até Janeiro de Cima, aldeia de xisto que é coqueluche do Fundão, com casas construídas com grandes pedras provenientes das margens dos rios, nomeadamente do Zêzere, e que conferem um marcante tom alaranjado. Rio que também foi ‘acompanhado’ pelas 1650 motos ao longo de vários quilómetros, oferecendo a possibilidade de apreciar ‘ao vivo e a cores’ o fenómeno geológico que formou a garganta do Zêzere.

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Vila Velha do Ródão acolheu excelente Oásis – ou melhor, dois! – montados pela Bomcar, concessionário BMW em Leiria, e pela Via Verde/Brisa. Momento ímpar para descansar, tomar um café, higienizar o capacete numa moderna máquina instalado pela Bomcar, comer uma fartura ou tirar uma fotografia com uma divertida Vespa.

E onde havia água, claro, indispensável num dia em que a temperatura estava já nos 30.º às 9 horas, e às 10 h rondava os 40.º C. Algo que não intimidou Cândido Barbosa, experiente motociclista e muito habituado a provas de ciclismo em que rolava quatro ou cinco horas, debaixo de temperaturas elevadas, e onde o esforço da pedalada lesta gerava ainda mais calor, combatido com ingestão constante de água e a proteção do corpo.

Com a passagem pelas sempre imponentes Portas do Ródão e entrada no Alentejo, temperaturas ainda e cada vez mais altas, mas com os motociclistas mais conscientes a não abdicarem do blusão e luvas sempre calçadas. Até porque, além da questão da segurança, a falsa sensação de frescura ao rodar apenas com uma tshirt deve-se a mais rápida evaporação de água do corpo, causando desidratação e até queimaduras.

Com cautelas acrescidas, se passeou através de Nisa, Póvoa e Meadas e Senhora da Penha, de onde se oferece a melhor vista, deslumbrante, sobre Castelo de Vide. Na alva ‘Sintra do Alentejo’, o Oásis BP contou com imprescindível apoio do Moto Clube do Porto, cujos elementos disfarçados de judeus-cobradores-de-contas iam entretendo os participantes através do fresco Jardim de Cima enquanto não chegava a hora ideal de controlo.

Revitalizados por sumos e doçaria regional, voltaram os aventureiros à estrada, , passando ao lado da antiga cidade romana de Ammaia em direção à Lapa dos Gaviões. Onde Rita Torres, uma jovem arqueóloga explicava as figuras das pinturas rupestres,

Paragem seguinte, Campo Maior, terra de contrabandistas e de festas com flores de papel, que ganhou outra dimensão com o crescimento do império do Comendador Rui Nabeiro, maior empregador da região e onde o papel social das empresas é levado muito a sério.

Com Badajoz à vista, deu-se entrada em Elvas fez-se com toda a pompa e circunstância naquela que é a maior Praça-Forte de Portugal, já foi a maior cidade fortificada da Europa e continua a ser a mais abaluartada do Mundo, que os participantes puderam apreciar depois de jantar, aproveitando o facto da partida da última etapa, até Faro, ter lugar ‘apenas’ às 7 horas. Travessia do longo e desértico Alentejo, ao longo de pouco mais de 400 quilómetros plenos de promessas de grande beleza paisagística.

 


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