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Ser e Estar: 365 novas oportunidades!

Um pouco por todo o mundo, as populações abrem múltiplas festividades de cariz cultural e, nalgumas regiões, religioso, para dar as boas-vindas ao ano novo, prenúncio de esperança e renovação.

Desejamos, ano após ano, felicidade, sucesso, amor, paz e saúde aos nossos amigos e familiares, repetindo as mensagens de fim de ano ou tentando inovar nos votos, sempre com a mesma carga de conteúdo.

Alguns de nós, e creio que cada vez somos mais os que paramos o relógio dos tempos modernos, sempre frenético e à frente dos nossos passos, para rever os objectivos concluídos no ano que terminou e projectar novos objectivos ou sonhos para o novo ano, sendo que os sonhos, regra geral, serão os nossos objectivos com pernas, pelo menos os que pretendemos de verdade que sejam atingidos, e não meras utopias.

Há quem diga que o segredo para conseguir uma resolução está na escolha e é certo que mesmo as escolhas que nos parecem mais distantes de concretização são concretizáveis.

A realidade política e económica do país e do mundo, afecta amplamente todos os nossos desejos pessoais. 2017 é um ano, como aliás têm vindo a ser os últimos anos, de incertezas e oportunidades.

O mundo como o conhecemos tem mudado, invisivelmente, por debaixo dos nossos olhos.

As tecnologias buscam automatizar o nosso quotidiano, desde aquilo que ingerimos, aos nossos postos de trabalho e, por fim, às nossas casas. São carros que se conduzem sozinhos, eliminando o prazer da condução e a autonomia do ser humano a título de exemplo. Buscamos automatizar o nosso mundo. Diz-se que, desta forma, o ser humano poderá dedicar-se mais à sua humanidade. Pergunto-me como será isso possível se a relação através das máquinas está claramente a distanciar-nos dos nossos pares: são vidas criadas nas redes sociais, depressões que por lá navegam, solidões preenchidas com o vazio da ilusão da vida dos outros.

As pessoas mais felizes bem-sucedidas que conheço não utilizam, a título de curiosidade, essa rede social, ou, se a possuem, pouco por lá andam ou pairam, o que não deixa de ser curioso.

Observo um autêntico desfile de vaidades. No entanto, nem tudo é negativo nestas redes.

Eu sou utilizadora das mesmas para exercício de participação cívica e para partilha de hobbies. Já a minha vida pessoal, prefiro reservar para a esfera real.

Ao contrário do passado, as redes hoje permitem-nos ser os actores da nossa humanidade, as redes aproximam-nos do escrutínio de tudo o que se passa no nosso mundo, fazem de nós cidadãos mais interventivos.

Olhando para o mundo que se forma por debaixo dos nossos pés para 2017, vemos os Estados Unidos a mudar as regras como se relacionam com o restante mundo com a eleição de Donald Trump.

A nossa União Europeia, na ausência de um exército europeu, desperta todos os dias com uma bomba relógio de terrorismo, misturada com o medo e a proliferação de movimentos populistas de extrema-direita.

A China esconde para 2017 novas estratégias para ganhar influência neste novo panorama mundial.

A Rússia de Putin, que se diz ter sido decisiva na eleição de Trump na América, prolifera os seus sonhos imperiais, assente numa política bélica e combativa.

Vimos ressurgir xenofobia e racismo, colocando em causa os direitos humanos que tanto temos defendido nas últimas décadas.

Vemos a III Guerra Mundial formar-se diante de nós com a certeza que a humanidade, hoje profundamente tecnológica, não resistirá a mais um vil ataque sobre si mesma, com as armas que hoje dispomos… As incertezas de 2017 encerram em si mesmas as 365 oportunidades que temos para diagnosticar aquilo que nos afasta uns dos outros e tentar voltar a saber ser e a saber estar no nosso mundo, como humanos de carne e osso que somos, e estamos ligados uns aos outros pelos afectos e pela alma.


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