Bisturi

Educação + inferior!

Luís Nunes dos Santos

A educação é a pedra basilar de qualquer sociedade e de qualquer estado de direito que tem por base a Democracia, a formação dos nossos jovens e a maneira como a executamos nos dias de hoje vai influenciar o futuro e as escolhas do país que queremos ter amanhã.

É portanto muito importante que haja uma política de educação concertada, estável, planeada e acima de tudo que prepare os jovens para os desafios do futuro e não para aquilo que foi o mundo no passado.

As reformas do sistema de ensino em Portugal têm sido sucessivas. Umas surtiram efeito, outras foram um desastre total. No entanto, uma coisa é certa: o grande objetivo de qualquer Governo é mais educação, mas sobretudo ter melhor educação, sendo que o fundamental de cada sistema de ensino tem que ter por centro o estudante.

Pergunto se hoje podemos dizer que o estudante está no centro da preocupação do ensino em Portugal? Eu respondo a isso com um audível NÃO!

Desde que este Governo tomou posse o ensino sofreu várias mutilações, em larga medida pelo único interesse que este Governo parece ter: o seu.

Falando no ensino superior, faz sentido a duplicação de cursos no espaço de poucos quilómetros? Será benéfico haver concorrência entre cursos que na maior parte das vezes não conseguem preencher as vagas? Dizer que se conseguiu mais vagas este ano do que o ano passado somente para as estatísticas e para ludibriar o povo, será um serviço público de qualidade?

São algumas perguntas que deixo aqui, para se perceber o porquê do nosso ensino superior muitas vezes qualificar pessoas para o desemprego. É preponderante reorganizar a rede de ensino superior, integrá-las nas suas regiões e apostar forte na sua qualidade.

No Governo de Pedro Passos Coelho foi criada uma oportunidade com o + Superior para aqueles que queriam sair do litoral do país, e irem estudar para o interior, numa clara tentativa de fomentar políticas ativas em favor à coesão territorial e a mobilidade dos jovens estudantes. A bolsa consistia em 1500 euros e abrangia 13 escolas superiores com 1020 vagas. Hoje abrange 16 escolas superiores com 1320 vagas o que é uma ótima notícia.

O problema é que este Governo tem como arma política enganar as pessoas e enganar sobretudo os jovens, uma vez que mudou o objetivo deste programa. Agora, em vez de servir como estímulo, incentivo e apoio às instituições de menos procura em virtude da demografia, serve como mais uma bolsa de ação social, aumentando desta forma a injustiça do programa, uma vez que deixa a maior parte dos estudantes de fora.

Este Governo estraga assim um excelente mecanismo para fixar jovens no interior.

Se o Governo quer que a ação social funcione no ensino, então tem que se organizar para que isso aconteça, tem que se comprometer com os alunos que precisam de ajuda e de facto ajudá-los. E isso não se faz com o congelamento de bolsas, com os pagamentos largos meses em atraso e, sobretudo, não se faz misturando ação social com mobilidade territorial.

Muita coisa está mal no nosso ensino. A pergunta que se faz é se queremos um ensino que prepare para o futuro, que seja uma Educação + Superior? Ou pelo contrário queremos defender que fique tudo como está e que os interesses no ensino sejam outros que não os dos estudantes, fomentando assim uma parca e ineficaz Educação + Inferior?

A escolha é óbvia parece…


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