Sociedade

Crocodilos comprados na Internet e abandonados na natureza quando crescem

cao1Na hora de escolher um animal de estimação, os portugueses não se restringem a gatos, cães, ou até às simpáticas tartarugas. Há quem prefira animais perigosos, como crocodilos, tigres ou leões, proibidos por lei. O ICNB alerta para casos de compra de crocodilos pela Internet, que são abandonados na natureza quando crescem.

A diversidade de animais que os portugueses adotam como fiéis amigos é bem maior do que se julgava. Aos cães e gatos, os mais vulgares animais de estimação, juntam-se outros mais originais, como as tarântulas, ou até os simpáticos coelhos. No entanto, os portugueses vão mais além e pisam a lei, albergando animais perigosos, como crocodilos, ursos, leões e tigres, que não podem viver numa tradicional habitação, por motivos óbvios.

Há em Portugal uma entidade que tem dados sobre esta questão: o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB). Em declarações à Lusa, João Loureiro, responsável pelo departamento de Aplicação das Convenções Internacionais do ICNB, relata casos de apreensões de animais. “Em média, por ano, há três felinos apreendidos” em Portugal, refere, apontando como exemplos mais comuns os “leões e os tigres”.

“Não com tanta frequência, aparecem também ursos e crocodilos”, acrescenta João Loureiro, que fala ainda em “primatas”. Por ano, são capturados “entre seis a dez” chimpanzés ou macacos. Nos últimos anos, estas médias têm diminuído, mas o problema continua a suscitar preocupação.

Apesar de ser contra a lei, a posse destes animais na casa de particulares justifica-se com a facilidade em adquiri-los. “É muito fácil comprar crocodilos em Espanha”, exemplifica. Também pela Internet se faz a venda destes répteis, ainda pequenos, que são entregues por correio, sem que estes serviços saibam o que estão a transportar.

Os crocodilos não são permitidos, exceto em jardins zoológicos e em alguns circos, que tenham autorização e condições de segurança. Também a posse dos felinos perigosos e mesmo dos primatas é proibida desde 1992.

O ICNB continua a sua tarefa de fiscalização de animais de estimação ilegais, que está a diminuir por dois motivos: as pessoas já começam a perceber que não podem tê-los em casa e existe uma maior atenção por parte de entidades como esta.

Segundo números do ICNB fornecidos à Lusa, em 2006 foram apreendidos 66 animais ilegais. Esse número aumentou para 189 em 2009, mas em 2010 voltou a descer, para 20 mamíferos.

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