Sociedade

CP decide adiar salários de dezembro por falta de dinheiro; Sindicato fala em “dramatização”

comboio1O conselho de administração da CP decidiu adiar o pagamento de salários do mês de dezembro aos trabalhadores, em virtude de “insuficiências de tesouraria”. O sindicato dos trabalhadores ferroviários considera que esta é uma forma de a empresa “dramatizar”, em vésperas de uma greve dos maquinistas, e não teme salários em atraso.

O sindicato dos trabalhadores ferroviários considera que a decisão da CP em adiar o pagamento dos vencimentos de dezembro por falta de verbas é uma forma de “dramatização”. A empresa diz que não tem verbas para cumprir as obrigações salariais até ao dia 23 de dezembro, como tem sido regra nos últimos anos.

Através de uma nota enviada aos trabalhadores, a CP refere que enfrenta “dificuldades de tesouraria” graves, o que, aliado a outras obrigações que a empresa tem de cumprir – como o pagamentos a fornecedores, à administração fiscal e também à Segurança Social – impede que os salários sejam pagos nas datas habituais (com uma semana de antecedência, normalmente ao dia 23, em virtude do Natal).

Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (STSF), este comunicado não é mais do que um modo de criar um “clima de drama” e aumentar a pressão sobre os trabalhadores, no braço de ferro separa CP e profissionais.

José Manuel Oliveira, coordenador-nacional do STSF, refere em declarações à agência Lusa que os trabalhadores não devem temer salários em atraso. Por outro lado, lembra, noutros anos houve situações semelhantes, com os pagamentos de salários a serem pagos mais tarde, depois do Natal.

Não obstante considerar que “a CP enfrentará alguns problemas”, aquele dirigente não tem dúvidas de que os salários do mês de dezembro serão pagos dentro do prazo legal, no último dia útil do mês de dezembro.

Recorde-se que o Sindicato de Maquinistas vai avançar para uma greve, em protesto contra processos disciplinares “absurdos, injustificados e ilegais”. A paralisação está marcada para as vésperas de Natal e dia da celebração da quadra (entre 23 e 25 de dezembro). O protesto é retomado a 1 de janeiro e prolonga-se até ao final do primeiro mês de 2012, mas apenas nas horas extraordinárias.

A razão para esta greve está num alegado desrespeito de um acordo de “paz social”, por parte da administração da CP, que “avançou com procedimentos disciplinares absurdos, injustificados e ilegais”, acusa o presidente do Sindicato de Maquinistas, António Medeiros.

Este comunicado da CP, agora entregue aos trabalhadores, deixa perceber que as diminuições de receitas de bilheteira vão agravar as dificuldades da empresa, o que é visto como uma tentativa de pressão sobre os trabalhadores.

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