Crónicas

Colisão

«Todos os Homens seriam velhacos se pudessem.»

Daniel Defoe

A prêmio Nobel da antiga Birmânia, atual Myanmar, Aung San Sui Kyi enfrenta fortes críticas pelo silêncio que tem mantido sobre a repressão violenta sobre a minoria étnica, Rohingya.

O desagrado é tão forte que se questiona a sua atribuição do Prémio Nobel da Paz, as críticas foram tão fortes que a sua viagem ás Nações Unidas foi adiada.

A crítica tem por base o comportamento de Aung San Sui Kyi, que para lutar pela democracia na Birmânia deixou maridos, filhos e enfrentou os antigos aliados do pai. Durante anos suportou prisão domiciliária e recusou ceder ás ameaças da Junta Militar que governava o país.

E no fim forçou a junta militar a ceder. A personalidade dela não mudou, a mesma força interior que a fez resistir permanece a mesma, o que mudou foi a perspetiva que o mundo tem dela.

Por algum motivo, até agora desconhecido, escolheu não criticar os militares e a forma como o rohingya estão a ser tratados, será por achar que a questão dos rohigya é um dano colateral da manutenção de estabilidade social? Ou o facto de que os rohingya sempre tiveram um tratamento inferior. A realidade é que os Rohingyas não têm qualquer estatuto, nem mesmo tem direito à nacionalidade, embora vivam na mesma regiões à inúmeras gerações. Terá Aung San Sui Kyi decidido que os Rohingya são uma batalha que não vale a pena lutar, quando existem mil e uma outras à espera, e ás quais os birmaneses estarão mais recepetivos? O que o mundo achava que tinha de ser o comportamento dela chocou com o que ela acha que é o melhor para a antiga Birmânia.

Milhares de Rohingyas estão a chegar ao Bangladesh, em fuga do que as autoridades militares do Myamnar descrevem como uma operação anti terrorista.

Por agora, a imagem internacional de Aung San Sui Kyi saí imensamente chamuscada, e à medida que os factos se tornam conhecidos pior para a sua reputação.


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