Sociedade

Coarguido do Freeport admite pedido de dois milhões para viabilizar outlet

freeport_alcocheteManuel Pedro, coarguido no processo Freeport, admitiu hoje que foram pedidos dois milhões (não se sabe em que moeda) para que o processo de licenciamento do outlet de Alcochete avançasse. Em depoimento no Tribunal do Barreiro, Manuel Pedro e atribui essa pedido de pagamento ao advogado José Gandarez.

Manuel Pedro, que é coarguido no caso Freeport, cujo julgamento decorre no Tribunal do Barreiro, admitiu nesta segunda-feira que foram pedidos dois milhões para que o licenciamento do espaço comercial avançasse.

O pedido daquele valor (não se sabe se euros, mas presume-se que seja esta a moeda em causa) foi feito para que a construção do Freeport de Alcochete fosse licenciada e terá ocorrido dois dias antes do chumbo do impacto ambiental.

O coarguido do processo não precisou de que moeda se tratava e não garantiu quem fez o pedido, apontado ter “dúvidas” de que tenha partido do advogado José Gandarez, que é genro de Mário Cristina de Sousa, ex-ministro da Economia do Governo socialista.

Manuel Pedro é um dos arguido do processo Freeport, tal como Charles Smith, que averigua alegado tráfico de influências, para que fossem superadas diretivas da Zona de Proteção Especial do Estuário do Tejo. O outlet acabou por ser licenciado, quando José Sócrates era ministro do Ambiente.

Recorde-se que a antiga diretora regional do Ambiente e do Ordenamento do Território, Maria Fernanda Vara Castor afirmou recentemente no Tribunal do Barreiro que José Sócrates, quando exercia aquele cargo, participou numa reunião em que também esteve Manuel Pedro, antes do processo ter sido aprovado.

A testemunha repetiu, agora em tribunal, o que havia dito na fase de inquérito. A própria Maria Castor foi uma das presentes nessa reunião, na qual, além de José Sócrates e do agora coarguido Manuel Pedro, José Inocêncio e Carlos Guerra, que então presidiam, respetivamente, à Câmara de Alcochete e ao Instituto da Conservação da Natureza Carlos Guerra, o então secretário de Estado do Ambiente, Rui Gonçalves, e um arquiteto, Capinha Lopes.

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