Sociedade

Centenas manifestaram-se contra política de Jardim

aj-jardimA política executada pelo Governo Regional e a dívida da Madeira estão a agravar o descontentamento dos cidadãos, que começam a tomar medidas. Ontem, o aterro do Funchal foi ‘palco’ de uma manifestação, que levou centenas de pessoas a protestar.

O organizador, que utilizou o Facebook para a divulgação do movimento dos Madeirenses Indignados, levantou a possibilidade de esta se vir a repetir.

Raimundo Quintal, geógrafo e investigador, afirmou que “esta foi, de facto, uma sementeira”. “Agora, vamos esperar que as plantas cresçam e deem bons frutos”, acrescentou.

“Depois de muitos anos em que há uma pessoa a pensar por todos os madeirenses, ou pelo menos a dizer que pensa e a confundir lá fora os madeirenses com uma só mente, o que é importante é que a sociedade civil tome iniciativas”, explicou o responsável.

Raimundo Quintal revelou que está a viver-se um momento importante para “despertar consciências” e, também, para “pedir às pessoas que não devem passar a vida iludidas pela espetada, pelo vinho seco e pela poncha”.

“Temos de começar a pensar, refletir e temos de perceber que há um ‘day after’ e há um paradigma seguinte a construir”, disse. “Esse paradigma tem que ser construído com os valores que esta terra tem, com o seu solo, o seu clima, a sua floresta, os seus jardins”, defendeu o organizador.

Esta descrição resume, do ponto de vista do responsável, a Madeira que todos querem para as gerações futuras.

“Infelizmente os nossos netos, sobretudo aqueles que ainda não nasceram, para além da pesadíssima dívida, vão ter de ainda arranjar dinheiro para os túneis que vão ficar fissurados, as estradas esburacadas, as escolas com tubagens rebentadas e as piscinas sem água”, apontou.

No local da manifestação podiam ver-se diversas bandeiras negras, que, segundo explicou Rafael Pereira de 67 anos, significavam que “o buraco é negro”. Para este participante, o futuro do arquipélago poderá vir a ter a mesma cor devido à divida acumulada.
Por sua vez, Teresa Ferreira de 49 anos, que transportava uma bandeira, disse que esta “simboliza a tristeza, a vergonha e a indignação” que os madeirenses estão a sentir.

A guia intérprete tocou ainda no assunto do turismo, comentando que este não é indiferente “às notícias do descalabro da Madeira”. A ilha “tem sido mal tratada por Alberto João Jardim (presidente da região) e companhia”, aludiu.

“A Madeira tem de ser diferente por uma coisa positiva e não pela negativa”, acrescentou. Raimundo Quintal finalizou com uma mensagem de expectativa. “Mais importante que as bandeiras negras, são as bandeiras verdes da esperança”, concluiu.

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