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Carlos Vieira sem a pressão de ganhar

Depois do título conquistado em 2017, Carlos Vieira sente-se “aliviado” e sem pressões para enfrentar a nova temporada no Campeonato de Portugal de Ralis.

Agora integrado no novo projeto da Hyundai na disciplina, as ambições do piloto de Fafe são os de se novamente competitivo e disputar as posições cimeiras, ciente do valor da concorrência e também do facto que os regressos de Armindo Araújo e José Pedro Fontes os capacitam com dois dos seus maiores adversários.

Sobre o título ganho na época transata, Carlos Vieira confessa que tudo foi um pouco inesperado, pelo menos até dada altura: “Não estava à espera de Campeão no início da época nem a meio. Foi uma boa sensação. Foi uma descarga emocional muito grande. Sentimos que tínhamos a oportunidade de chegar ao título e acabamos por conquistá-lo. Acho que percebemos que podíamos ser campeões antes do acidente no Rali Vidreiro e depois em Mortágua, que foi quando senti verdadeiramente que tinha a hipótese”.

“Sinto-me completamente aliviado, não sinto mais responsabilidade e qualquer pressão por ser campeão nacional. Pelo contrário, estou muito mais tranquilo, sei que já mostrei o meu valor e posso trabalhar no meu foco para tentar ganhar ralis e ser novamente candidato”, confessa o piloto minhoto relativamente à temporada que o espera.

Sobre o Hyundai Carlos Vieira não tem uma ideia completamente formada, mas considera que é uma vantagem ter conhecido anteriormente três outros carros da geração R5, percebendo logo as diferenças:“O Citroën é um carro requer mais experiência, muito difícil de conduzir em terra. Condicionava-me muito, e por isso quis experimentar um carro diferente para saber exatamente se o problema era meu. O Skoda é um carro confortável, que para mim, com menos experiência, foi melhor. Quis também tentar comparar com o Fiesta que guiei anteriormente em 2015, para saber se as referências eram iguais. Foi bom, pois há referências para poder comparar. Em termos de suspensões, se é neutro, se é mais fácil se não é. E é bom ter a referência do Skoda, que é a bitola, pelo menos em terra. Sei que este Hyundai é um carro mais parecido com o Skoda. Pode ser melhor ou igual, em termos de conforto, mas tenho a certeza que vai ser mais fácil de guiar que o Citroën”.

Fiel ao lema em equipa que ganha não se mexe, o piloto de Fafe também manteve o mesmo co-piloto, Jorge Carvalho, e explica porquê: “O Jorge está comigo nos momentos maus, em 2016, nos momentos bons em 2017. Acho que tivemos os nossos conflitos normais. Gosto muito dele, sou muito fiel, gosto de me manter com a mesma pessoa no banco do lado, por isso se continuar nos ralis e ele poder estar comigo vai continuar esta dupla. Nem tenho a expetativa de mudar”

“Ainda sou um bebé nos ralis”

Apesar de ostentar o título de Campeão Nacional, Carlos Vieira não tem dúvidas sobre a sua inexperiência nos ralis e sobre o facto da prolongada paragem nada significar para o seu novo companheiro de equipa Armindo Araújo: “Se andei dois anos nos ralis e mudei de carro consegui ganhar em Mortágua , tenho a certeza que o tempo da paragem dele não vai ser uma desvantagem. A experiência que tem nos ralis nos 18 anos que fez é muito abrangente. Vai ter muito menos dificuldades do que eu, saber o que quer deste carro, saber o ‘set-up’ que quer, vai ter um engenheiro que lhe esclarecer as dúvidas. Eu não vou ter tantas porque não o mesmo conhecimento. Por isso o Armindo vai ter um nível logo muito alto e depois vai talvez atingir o máximo dele. E aqui quem tem de evoluir sou eu, só tenho dois anos de ralis, sou um ‘bébé’ ainda”.

“Por exemplo, em Fafe em dois anos fiz 100 km de especiais e o Armindo já fez muitas edições daquele rali, por isso tenho a certeza que conhece melhor todas classificativas do que eu, tanto as do Algarve, como as da Marinha Grande, como as de Castelo Branco e como as de Fafe. Mortágua não digo tanto, mas tem muito conhecimento da terra do Rali de Portugal. Tenho a certeza que o Armindo conhece muito melhor que eu os Açores, e conhece muito melhor que eu a Madeira. Aqui quem tem de evoluir mais sou eu. As classificativas e o conhecimento das mesmas é quase mais importante do que o resto. E isso é o resultado de uma carreira que ele construiu em 18 anos, que não tive oportunidade de fazer. Mas sei que estou em bom nível, e o meu conhecimento vai crescer e eu vou continuar a melhorar”, considera o piloto minhoto.

Outro regressado, mas devido ao acidente sofrido no Rali de Portugal, é José Pedro Fontes, e também sobre o piloto portuense Carlos Vieira não tem dúvidas de que será um forte adversário em 2018.

“São oito meses parado, para alguém como o Fontes, que tem o ritmo que ele tem, não é nada. Ele teve um acidente que infelizmente lhe provocou uma grave lesão. Se não a tivesse tinha estado igual. O que perdeu de ritmo é normal, que vai recuperar rápido. Certamente que será nosso adversário na maior parte das especiais, como o Armindo, o Pedro Meireles, o Ricardo Moura ou o João Barros. Creio que nem se pode duvidar que o Zé Pedro vai estar com a mesma forma que se apresentou em 2016 ou 2017. Pensar que pode estar afetado pelo acidente é uma ilusão de algumas pessoas”, frisa o piloto de Fafe.

Fafe e o perfil do campeonato

Para rematar a conversa de Carlos Vieira com o PT Jornal, abordamos a primeira prova do campeonato, que está a dias de se iniciar. Apesar de ‘jogar em casa’ o piloto de Fafe não se sente mais à vontade for esse facto: “Este ano há classificativas novas. É o rali da minha cidade, mas que tenho menos conhecimento. Vou tentar dar o máximo mas não vou estar preocupado com o resultado, porque sei a importância de fazer pontos”.

Vieira é também um dos críticos à alteração feita no perfil do campeonato, com a primeira fase a ser toda com provas de terra e a segunda toda de asfalto: “Sou contra, porque acho que para o espetáculo para o campeonato a alternância era melhor. Preferia a expetativa de mudarmos de terra para o asfalto. Tinha azar na terra, mas depois no asfalto era diferente. Por outro lado é muito melhor para mim, porque sei que vou fazer quatro ralis de terra e vou ter mais ritmo, e para a equipa logisticamente é melhor. A Federação decidiu, mas não tem de ceder o que nós queremos. A FPAK deve defender os nossos interesses, mas a expetativa do campeonato pode ficar em causa”.

Fotos: Ricardo Cachadinha

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