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Brinco, logo existo

Pais_Brincam_Filhos_900Digo, vezes sem conta, que a brincadeira, entre uma imensidão de vantagens, é a melhor prática para conciliarmos as regras – «as minhas e as tuas» – e os afetos – «de ti para mim, de mim para ti e na relação comigo próprio(a)».

Se os pais procuram conquistar tempo de qualidade com os filhos, no pouco que possam ter pelas exigências do(s) trabalho(s), sugiro que introduzam a brincadeira.

Se os educadores procuram criar magia na vida das crianças, transformando-as em seres encantadores, aconselho que insiram a brincadeira. Brincar é comunicar (consigo e com os outros), imaginar, fantasiar, imitar, memorizar, movimentar-se, socializar, criar, desenvolver a inteligência, nutrir a vida com afetos, melhorar a atenção e concentração, explorar os sentidos, relacionar-se com o mundo, aprender a respeitar as diferenças, identificar e gerir as emoções, aprender e ensinar numa adorável reciprocidade e enriquecer o conhecimento.

São apenas alguns exemplos, mas mais do que suficientes para que possamos, de uma vez por todas, dar o devido valor à brincadeira. É, inquestionavelmente, uma dimensão da vida imprescindível para um desenvolvimento mais saudável e integral do ser humano.

Logo, convém não olharmos para a mesma apenas como um prémio que se pode dar pelo bom comportamento ou para encher os tempos livres, pois a brincadeira tem um valor muito mais elevado e abrangente.

A brincadeira é, acima de tudo, um ato de aprendizagem (poderoso) que navega entre várias dimensões, tais como a física, a cognitiva, a emocional, a afetiva, a cultural e a social.

Assim, o melhor a fazer é introduzirmos a brincadeira na lista de obrigações dos pais, dos educadores, das crianças, das famílias, das escolas e da sociedade.

Quanto às escolas e aos educadores: sugiro que prescrevam a brincadeira como «tpc» – podendo mesmo apontar na caderneta, caso sintam que o aluno não vai cumprir a tarefa, sugestões de brincadeiras.

Quanto aos pais e às famílias: sugiro que digam aos filhos, num tom sério e não sisudo, «não vais para a cama enquanto não acabares a brincadeira!», não vá a professora marcar falta de «tpc» no dia seguinte.

Quanto à sociedade capaz de mudar a direção do vento (i.e., as políticas): por favor, de uma vez por todas, olhem para as verdadeiras necessidades do setor educativo com coragem e inteligência e implementem mudanças profundas que sigam os interesses do desenvolvimento humano de excelência (e não outros tipos de interesses) – bem sei que é preciso encontrarmos uma definição comum de «desenvolvimento humano de excelência», para não se cair no erro da aplicação de medidas ocas e ineficazes, que não consideram as diferenças entre as várias etapas desenvolvimentais do ser humano.

Quanto às crianças: brinquem com magia nas mãos e amor no coração, sempre que vos for cedido o espaço merecido (por sugestão dos adultos ou por imposição vossa).


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