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«Mudar de assunto é uma astúcia cortês para dizer que não.Não há discrição maior do que a não se dar por achado.»

Baltasar Gracián

As eleições na Holanda eram vistas como um barómetro ao populismo na Europa. E depois do Brexit e de Donald Trump, a questão era de se a seguir surgiria um Hexit. Os eleitores holandeses escolheram não seguir o exemplo dos britânicos, e afastaram o seu voto dos da extrema direita. Porém a extrema direita apesar de derrotada teve um resultado que mostra um descontentamento que se ignorado poderá ser perigoso.

Agora as atenções centram-se em França, e o mundo pergunta-se qual o exemplo que os eleitores irão seguir a dos britânicos ou a dos holandeses.

Nem o facto de no período anterior ás eleições as relações diplomáticas entre a Turquia e a Holanda terem estado ao rubro. O caricato é que o líder do partido da extrema direita holandesa e o presidente turco apelam ao mesmo sentimento de orgulho nacional .

As autoridades holandesas não permitiram que ministros turcos participassem em reuniões a favor da posição governamental no referendo que se irá realizar naquele país.Dada a dimensão da comunidade turca, o governo e o presidente turco acharam necessário cativar esses votos.

Apesar de já terem tentado sem sucesso na Alemanha e Suiça os turcos insistiram, e perante a recusa das autoridades holandesas , o presidente Erdogan não esteve com meias medidas, e acusou os holandeses de serem o que restou do nazismo. Simultaneamente o presidente turco usa o acontecido como a prova de que a Europa está a conspirar contra a Turquia para a impedir de atingir o seu potencial.Os turcos não esquecem que já foram detentores de vasto império e que foram capazes de fazer tremer as capitais da Europa. E se o conseguiram no passado, quem sabe…


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