A resposta em Amor num caso aparentemente desconcertante

No início deste ano o meu filho com 12 anos foi seguido e abordado por um jovem na vertente de pedofilia, não chegando a existir o acto em si mas ouve toque e o levantar de conversas que uma criança de 12 anos, aparentemente não conhece na sua realidade… Quando uma situação destas acontece no nosso seio familiar e queremos resolvê-la em Amor não culpando o outro, não querendo atacá-lo por ter sido abusivo com um inocente, que neste caso é nosso filho e ter especial cuidado para não criar na cabeça desta criança o sentimento de que foi uma vítima, torna-se a questão primordial que vai ditar o sucesso de todo o processo.

Eu escrevo diariamente sobre o comportamento em Amor que devemos ter em qualquer circunstância e saliento o seu poder ao usá-lo em qualquer situação menos agradável na nossa vida. E chegou a minha hora de o colocar em prática numa questão tão particular como esta.

Comecei por observar que o facto de o meu filho se sentir à vontade para me contar o sucedido já foi o primeiro sinal de que o caminho está a ser positivo, em seguida questionei a sua veracidade, pois os adolescentes mentem para conseguirem o que querem e neste caso ele não gosta de ir a pé para a escola e podia ter fantasiado esta história com base no que ouve na ficção e na vida real, que nos chega pela comunicação social. E assim coloquei-o à prova dizendo-lhe que íamos à polícia e que ele tinha que contar toda a verdade. E ele não recuou, continuando afirmar a veracidade da sua história. Assim foi, deslocamo-nos à esquadra e apresentamos queixa, mas não sabíamos nada deste rapaz e por conseguinte nada se pode fazer.

Passei por explicar uma série de questões ao meu filho, primeiro, que nunca mais mentisse pois faz com que ninguém se acredite nele quando está a falar uma verdade, segundo que não criasse qualquer tipo de mágoa pelo que tinha sucedido pois não ia resolver nada e só ele é que ia ficar triste. E que juntos íamos esquecer este episódio tirando a lição de que tem que estar mais atento com quem se abre para uma conversa. Nunca lhe dizendo que não deve falar com desconhecidos, pois desta forma estaria a criar nele a desconfiança de que todos que não conhece podem ser pessoas menos boas. E se falamos em Amor em Amor devemos estar com todos.

O tempo passou e 1 mês depois ele encontra o mesmo indivíduo a trabalhar num emblemático estabelecimento de restauração onde muitas crianças se juntam para fazer festas de anos. Mal obtive esta informação dirigi-me ao local pedindo que o gerente identificasse a pessoa em questão e assim foi, em seguida chamei a polícia, apresentamos novamente queixa e deixamos o processo entregue às autoridades competentes. Nesta altura o meu filho tinha criado afeição pela pessoa no sentido de que não depositou mágoa substituindo o sentimento por pena. Começou a perguntar-me o que lhe ia acontecer e que não queria que ele fosse preso. Mais uma lição foi adquirida, “não estás a fazer-lhe mal mas sim a ajudar muitos outros meninos para que não passem pelo mesmo e ele vai ser assistido por médicos que o vão orientar numa melhor postura na vida”.

Entretanto teve que relatar todo o sucedido à polícia judiciária durante 3 horas com todos os pormenores até à própria identificação da pessoa. Eu estive presente e fui observando a dor de uma mãe ao ouvir o filho a falar de uma situação tão especial como esta, nunca me deixei abater tendo sempre total consciência de que no fundo nada de mais grave tinha sucedido e estávamos ali como testemunhas de um acto menos saudável de um outro jovem e a encaminhá-lo para quem o pudesse ajudar a não voltar a fazer tal acção.

Este mês o caso foi a julgamento e o meu filho teve que ir depor perante uma plateia de adultos desconhecidos falando da sua intimidade. Não me foi permitido estar na sala, o qual ele prontamente disse que também não era preciso. Antes de entrar senti que ele estava apreensivo e perguntei-lhe o que se estava a passar no seu interior, a resposta foi novamente “o quê que lhe vai acontecer? Ele vai preso? Eu não quero que isso lhe aconteça, porque sei que ele está doente…”

Respondi-lhe mais uma vez, “só vais contar a verdade, não estás ataca-lo mas sim ajudá-lo.”

No final do julgamento vieram ter comigo os funcionários do tribunal que estiveram presentes na audição definindo-me a postura de segurança com que ele descreveu todo o sucedido perante a plateia que estava à sua frente, salientando mesmo que os adultos não têm tal firmeza.

Desde que entrou até sair ele manteve um sorriso no rosto, natural de uma criança, que apenas foi exposta a uma situação menos feliz mas que eu fiz questão de que toda ela fosse orientada desde o início em Amor, tranquilidade e acima de tudo de compreensão e respeito pelo ser humano que o tinha abordado de tal forma.

A mãe do rapaz quis conhecer o meu filho, aproximando-se de nós bastante debilitada com a ocorrência e dizendo-nos que desde os 4 anos de idade o seu filho sofre de perturbações mentais e que tem sido um grande problema para toda a família. É seguido por um pedopsiquiatra desde tenra idade, até hoje que completa 24 anos, onde foi diagnosticada uma mentalidade de 12 anos, a despertar para a sexualidade de uma forma errada.

Mais matéria tive para explicar ao meu filho de que agora o médico que segue este rapaz mais aqueles que o tribunal ordenar vão poder ajudar toda esta família a poder viver mais em paz porque perceberam que a técnica usada não está a funcionar e que vão ter que rever todo o tratamento.

E felizes por todo o nosso comportamento neste caso, que não aconteceu por acaso, e que por isso o relato como mãe, resumindo que quando criamos pensamentos negativos em situações que são à primeira vista desconcertantes estamos a interferir na harmonia do Todo. E quando fazemos o contrário, na simples análise e aplicação do Amor não existem vítimas e todos saímos vitoriosos pela ajuda que damos a cada um de nós para que o Mundo seja um lugar cada vez mais belo a prosperar em Amor.


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