Bisturi

2017 a pente fino!

Autor: Marco Gil

O ano nunca começa como acaba, na maioria das vezes até parece ter mais que 365 dias. Dá voltas e mostra-nos que o passado nem sempre é pretérito perfeito de um tempo que estará para vir.

Começa ainda no inverno e apesar dos desejos e projectos novos, às vezes termina sem chegar a começar.

Em Janeiro com os dias pequenos, morreu Mário Soares. Foi estranho, sempre estive habituado a ele, o Mário Soares era daquele género de pessoas que parecia igual há 70 anos: grisalho e com cara de Avô. Jogou-se futebol, o almoço nunca foi à hora do jantar e todas as bebidas com açúcar passaram a ser mais caras.

O Marcelo completou um ano como Presidente da República e dos afectos; aumentam os “rips” e os “likes”.

O Dia dos namorados manteve-se em Fevereiro, três dias antes um cometa passou perto da terra e não era cupido, era mesmo cometa.

A rua da Bica foi considerada a mais bonita do mundo. E dia 1 de fevereiro fez 30 anos que foi dia 1 de fevereiro de 1987.

Já era Março quando o lançamento do livro de Cavaco Silva no Porto teve uma multidão de 50 pessoas e os pescadores da Nazaré apanharam uma bomba por detonar com as redes de pesca.

Foi o regresso da primavera mas o evento deste mês foi o busto do Ronaldo no aeroporto com o nome dele. Os dias começaram a ficar maiores. O sol aparecia mais e já se optava por uma imperial na altura de não se decidir pelo chocolate quente.

Foi dia do Pai, dia da Poesia e tudo a partilhar fotos e histórias com emojis. Não morreu ninguém que possa incluir aqui.

Em Abril, dia 25 foi feriado, recordou-se aquele dia de 1974 onde todos se lembram de estar em algum lado. O Marcelo tirou selfies nesse dia e nos outros.

Pelo menos em 4 domingos o “Somos Portugal” passou desgraçadamente pelas tardes da TVI e nunca o zapping deu tanto jeito ao mês.

Abril foi tão forte que estive para escrever “passo” em Março.

Mas Maio é que foi, para todos os gostos e feitios… O Benfica foi tetracampeão e só por isso aumentou a felicidade e a venda de cerveja.

Nesse mesmo dia, a 13, Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos em Fátima, mas há 100 anos; desta vez eles foram canonizados pelo Papa Francisco que veio a Portugal e lá estava o Presidente Marcelo para o receber num abraço que os parecia fazer amigos de sempre.

Antes do dia terminar foi o Salvador Sobral que deu cabo de tudo em Kiev e espantou o mundo por ele, pelos dois e por todos os portugueses, vencendo o festival da Eurovisão pela primeira vez. Fez-se história.

O mês passou para sempre a ser conhecido como “O maio do 4 F’s”; futebol, festival da Eurovisão, Fátima e feriado no dia 1”.

“Se um dia alguém perguntar como isto foi possível, diz que vivi só para ver…”, devia começar assim a música dos irmãos porque “limpámos” tudo nesse dia e nada me tira da cabeça que era dia para nos terem aparecido os Felipes, Napoleão, Mussolini e mais quem viesse que seria tudo nosso. E se tivéssemos uma Nau à mão éramos povo para nesse dia encontrar terra por descobrir… algures.

Foi tão bom que nem devia ter vindo Junho, pelos incêndios, pela proximidade com a tragédia e por associarmos isso tudo a Pedrógão para o resto das nossas vidas. Todos devíamos ter feito um mês de silêncio. Voltou o verão mas nem nos apercebemos.

No entanto para nem tudo ser mau, a filha do Tony Carreira publica nas redes sociais uma foto do velocímetro do carro a 210km/h entre Lisboa e o Porto. E o Ronado fez um “bi” contra mãe incógnita: são a Eva e o Matteo e não cantam, ainda.

Julho foi o mês do bacalhau com natas a 120 euros naquele restaurante Made in Correeiros e do insta storie na praia. Nada a registar com a filha do Tony Carreira.

Agosto começa logo com um alerta de atentado terrorista em Lisboa que durou 20 minutos.

A Porto Editora não quis deixar a coisa por menos e lançou livros para meninas e meninos e apesar dos apesares…aquilo foi polémico. No fim do mês recebeu-se o salário. Começou a bola de novo.

O mês de Setembro foi forte em campanha eleitoral e fraco por parte de quem a fez, como sempre. Joana Amaral Dias sugere que as mulheres tenham um espaço exclusivo nos transportes públicos e eu sugeri a Joana a tanto amigo meu.

Inaugura-se aquele miradouro na ponte, bom para quem anda de queixo erguido e Portugal atinge um nível de seca extrema record.

E Outubro foi novamente negro; não fossem os resultados das autárquicas que foram ganhas pelos vencedores e pouco se acrescentaria para lá daquele dia 15 que foi o pior do ano. Portugal foi consumido pelas chamas. Os nossos filhos no livro da 3ª classe já não vão ter o pinhal de Leiria e esta seria a pior desgraça se não tivessem morrido perto de 50 pessoas.

O que vale é que o Ronaldo voltou a procriar (parece que escolhe os meses fatídicos) e foi eleito novamente o melhor do mundo (isto nem devia ser notícia). Mas valha-nos ele nestas horas em que somos os piores em muita coisa.

Um juiz do Porto ilibou um marido que agrediu a mulher por adultério (faça-se silêncio).

Novembro começa sempre bem porque é logo feriado mas morreu o Zé Pedro mesmo que ele seja imortal e tudo mudou. Basta perdermos um dos nossos maiores ídolos para o ano nunca chegar a ser perfeito.

Também se foi o Belmiro, deixou admiração e uma herança do caraças. A Madonna continua à procura de casa. Começou tudo a despir-se para calendários solidários e o mundo parou numa “Black Friday”.

Mas o mês valeu pelo homem que se barricou num supermercado de Poiares durante 24 horas e se rendeu com um saco de torresmos.

Estamos em Dezembro e a agência de rating Fitch tira Portugal do lixo. É Natal e se não fossem aquelas pessoas que metem as antenas com renas na cabeça…seria tudo perfeito. Luzes, comida, família e aqueles posts que falam do que se come antes e depois da época e estraga-se logo tudo outra vez. O Natal é festa não é uma balança.

Mais tweets, stories e jantares de Natal e a palavra do Ano é: #alanamartina

Desculpem ter passado o caso das Raríssimas, mas era metê-los a todos dentro de uma igreja da IURD e fechá-los lá para sempre junto a Etar de resíduos e maus cheiros.

E nisto passaram 365 dias a correr… se fosse com o Obikwelu; uns maus e outros melhores.

O ano dos bombeiros, o ano que devia ser para eles.


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